Empresas buscam parcerias com universidades para enfrentar mercados competitivos
Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – O Brasil convive com um atraso histórico na integração entre a sua produção científica e o setor produtivo para gerar novos produtos, processos e serviços, em comparação com os Estados Unidos e países da Ásia. Para superar essa defasagem, é preciso impulsionar parcerias para a realização de pesquisa colaborativa entre empresas de base científica e tecnológica instaladas no país com universidades e instituições de pesquisa, seguindo modelos como o dos Centros de Pesquisa Aplicada ( CPAs ) criados pela FAPESP nos últimos anos.
Fruto de uma parceria entre a empresa, a FAPESP e a Universidade de São Paulo (USP), o centro receberá um aporte de R$ 40 milhões ao longo de cinco anos, dividido entre os parceiros.
“Por meio do centro, queremos gerar patentes e propriedade intelectual, mas, fundamentalmente, criar novos produtos para transformar a vida, a experiência e os negócios dos nossos clientes”, afirmou Duclos.
De acordo com o executivo, os resultados das pesquisas realizadas no âmbito do centro podem contribuir para aumentar a competitividade da empresa no mercado de telecomunicações que, devido à quebra de fronteiras tradicionais, colocou as companhias do setor em uma arena de concorrência imprevisível.
“Com a internet móvel, as barreiras setoriais tradicionais [entre as empresas] desapareceram. Hoje competimos com empresas que nem imaginávamos há dez anos e somos medidos pelos nossos clientes com base nas experiências que eles têm com empresas tão diversas como a de compartilhamento de viagens oferecidas pelo Uber e a 99”, comparou.
Nesse ambiente turbulento, Duclos defendeu que as empresas tradicionais não conseguem inovar sozinhas e precisam de parceiros de peso para a realização de pesquisa na fronteira do conhecimento.
"Mudar a cultura da própria empresa é um caminho sem fim. E é uma batalha que precisa de resiliência e aliados, como a USP e a FAPESP”, avaliou.
Durante o painel, a professora da Escola Politécnica (Poli-USP) e uma das pesquisadoras principais do CPA da Claro com a FAPESP, Roseli de Deus Lopes , relembrou que, historicamente, a resistência a aproximar universidades e mercado não é uma exclusividade do Brasil. Na década de 1960, quando a Universidade Stanford, nos Estados Unidos, decidiu incorporar a pauta de pesquisa voltada à inovação à sua tradicional missão de ensino, a mudança gerou fortes conflitos internos.
“Houve passeatas nas ruas, feitas por pessoas contrárias a esse tipo de parceria, porque elas achavam que essa pauta de pesquisa atrapalharia o ensino", contou.
Contudo, quando a pesquisa se consolidou nas instituições americanas, ela já nasceu de forma indissociável da inovação de mercado. No Brasil, embora a missão das universidades públicas estabeleça o tripé ensino, pesquisa e extensão, a pesquisadora apontou que ainda há falta de clareza sobre o papel desse último elo, frequentemente limitado a projetos puramente assistenciais ou filantrópicos.
Na avaliação dela, a extensão deve ser uma "troca dialógica" para compreender e resolver problemas reais em conjunto com a sociedade e com as empresas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.