Um telescópio canadense enxergou sozinho o brilho de hidrogênio de quando o Universo tinha cerca de 5 bilhões de anos
Radiotelescópio CHIME detecta emissão distante sem depender de outros instrumentos e abre caminho para investigar a expansão do Universo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O radiotelescópio canadense CHIME alcançou um marco na astronomia ao detectar independentemente o brilho do hidrogênio cósmico, emitido quando o Universo tinha aproximadamente 5 bilhões de anos. A descoberta, publicada em setembro de 2026, demonstra que grandes regiões do espaço podem ser estudadas sem depender de levantamentos realizados por outros telescópios.
Instalado próximo à cidade de Penticton, na Colúmbia Britânica, o Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment (CHIME) foi desenvolvido para investigar a distribuição do hidrogênio neutro pelo Universo. Diferentemente dos telescópios ópticos convencionais, ele utiliza quatro grandes refletores cilíndricos que captam ondas de rádio continuamente.
O equipamento permanece imóvel enquanto a rotação terrestre desloca o céu sobre suas antenas. Essa configuração permite observar diariamente uma extensa região celeste. Seu principal objetivo cosmológico é reconstruir a distribuição da matéria em diferentes épocas, fornecendo informações sobre a expansão do Universo e a influência da energia escura.
A equipe analisou observações realizadas durante 94 noites de 2019 e identificou a emissão coletiva de hidrogênio neutro sem utilizar mapas externos de galáxias. O sinal corresponde a uma época situada aproximadamente entre cinco e seis bilhões de anos após o Big Bang, quando as estruturas cósmicas continuavam evoluindo.
A detecção apresentou significância estatística de 12,4 sigmas, resultado considerado extremamente robusto. Os pesquisadores também identificaram o sinal em duas faixas independentes de frequências, reforçando a confiabilidade da medição e demonstrando a capacidade do instrumento de investigar grandes volumes cósmicos.
O hidrogênio neutro produz uma radiação característica conhecida como linha de 21 centímetros. Essa emissão ocorre quando muda a orientação relativa dos spins do próton e do elétron no átomo. Embora individualmente extremamente fraca, a radiação acumulada de enormes quantidades de hidrogênio pode ser detectada por radiotelescópios sensíveis.
Como o Universo está se expandindo, as ondas emitidas há bilhões de anos chegam à Terra com comprimentos maiores. Esse fenômeno, chamado desvio para o vermelho, permite estimar a época de emissão. Ao medir variações na intensidade dessa radiação, os astrônomos investigam a distribuição estatística do gás sem identificar individualmente cada galáxia.
O estudo original publicado no The Astrophysical Journal foi desenvolvido pela colaboração CHIME, envolvendo pesquisadores como Arnab Chakraborty, Mark Halpern e Simon Foreman. A equipe aplicou métodos avançados de processamento para separar o sinal cosmológico das emissões galácticas, interferências humanas e ruídos instrumentais.
Uma das principais dificuldades foi impedir que fontes intensas de rádio contaminassem as frequências analisadas. Os pesquisadores aperfeiçoaram filtros, técnicas de calibração e procedimentos de identificação de interferências.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.