Uma parede queimada apareceu sob o coração de Paris e pode empurrar a história da cidade para antes da ocupação romana
Muralha de pedra e madeira encontrada sob hospital parisiense pode revelar vestígios inéditos da cidade gaulesa descrita por Júlio César
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma descoberta arqueológica sob o Hôtel-Dieu, no centro de Paris, revelou uma muralha queimada possivelmente pertencente à Lutécia gaulesa, anterior ao domínio romano. Encontrada na Île de la Cité, a estrutura pode fornecer uma das primeiras evidências materiais da cidade descrita por Júlio César há mais de dois mil anos.
Durante séculos, historiadores discutiram onde exatamente ficava a cidade dos Parisii, povo gaulês que habitava a região do atual território parisiense. Os relatos de Júlio César mencionavam um assentamento fortificado numa ilha do rio Sena, mas faltavam vestígios arqueológicos capazes de confirmar sua localização.
A Île de la Cité sempre foi uma candidata importante, especialmente por concentrar parte do núcleo histórico de Paris. Entretanto, a escassez de evidências anteriores à conquista romana levou pesquisadores a considerar outros locais, incluindo Nanterre. A descoberta de uma possível fortificação gaulesa pode transformar esse debate.
Durante escavações realizadas no verão europeu de 2026, pesquisadores identificaram uma estrutura construída com grandes blocos de pedra e elementos de madeira. A muralha conserva aproximadamente 20 metros de extensão e apresenta características arquitetônicas associadas às fortificações gaulesas do final da Idade do Ferro.
Os arqueólogos também encontraram sementes carbonizadas, restos de uma construção de madeira destruída pelo fogo e uma ponta de lança gaulesa. Atrás da parede existe uma plataforma artificial de areia e cascalho, com aproximadamente dois metros de espessura, possivelmente relacionada à sustentação da estrutura.
Um vídeo divulgado pela Prefeitura de Paris apresenta a descoberta da muralha e sua importância arqueológica.
As fortificações gaulesas frequentemente combinavam pedras e vigas entrecruzadas para formar estruturas resistentes. Esse sistema construtivo permitia distribuir esforços e reforçar paredes utilizadas na proteção de assentamentos conhecidos como oppida, centros fortificados com funções defensivas, políticas e econômicas.
As marcas de combustão oferecem outra pista importante. Segundo os relatos romanos, construções gaulesas foram incendiadas durante os conflitos de 52 a.C., quando tropas comandadas por Tito Labieno enfrentaram forças locais. Entretanto, encontrar madeira queimada não demonstra automaticamente que o incêndio corresponde àquele episódio histórico.
As escavações começaram em fevereiro de 2026, sob coordenação de David Couturier, do Departamento de História da Arquitetura e Arqueologia de Paris, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas. O trabalho acompanha a reestruturação do Hôtel-Dieu, tradicional complexo hospitalar parisiense.
As primeiras análises por carbono 14 indicaram uma faixa cronológica entre 200 e 10 a.C., compatível com o período gaulês. O Ministério da Cultura da França apresentou oficialmente a descoberta em setembro de 2026.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.