Em dois anos, CNJ afastou três magistrados e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas suspeitos de irregularidades
Servidores e visitantes do Tribunal de Justiça do Amazonas deixaram a sede do prédio após o tremor.
Rede Amazônica O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, afastou cautelarmente, durante sua gestão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entre 2024 e 2026, três magistrados — um desembargador e dois juízes — e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sob suspeita de irregularidades na condução de um processo judicial envolvendo as Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras).
Por meio de decisões judiciais, os envolvidos teriam autorizado o levantamento de quase R$ 150 milhões da empresa.
A informação foi repassada nesta quinta-feira (13), em entrevista concedida por Mauro Campbell à GloboNews.
O ministro, que será o próximo vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), deve deixar o cargo de corregedor nacional de Justiça para assumir a nova função.
A posse na cúpula do STJ está prevista para 19 de agosto. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “É uma preocupação muito grande no Conselho Nacional de Justiça em lidar com honra e integridade de juízes.
Ao longo desses dois anos, eu tive o desprazer de afastar 19 juízes e desembargadores do cargo em todo o Brasil”, afirmou Campbell.
Agora no g1 No Amazonas, os magistrados e o servidor foram afastados em decisões do CNJ relacionadas a uma investigação sobre um suposto esquema fraudulento que provocou a retirada de cerca de R$ 150 milhões da Eletrobras por meio de uma ação judicial que tramitava na Comarca de Presidente Figueiredo, no interior do estado.
O desembargador Elci Simões de Oliveira e o juiz Jean Carlos Pimentel dos Santos, da Vara Única da Comarca de Presidente Figueiredo, foram afastados em 21 de fevereiro de 2025.
Segundo o CNJ, a decisão considerou a rapidez com que o processo avançou, incompatível com o volume de trabalho da Vara Única.
Para o ministro, o juiz não teria adotado a cautela necessária na análise da validade dos documentos apresentados, de seu conteúdo e da legitimidade dos beneficiários.
Sete dias depois, em 28 de fevereiro, Campbell determinou o afastamento de mais um juiz e de um servidor do TJAM: Roger Luiz Paz de Almeida, da Vara de Execuções de Medidas e Penas Alternativas (Vemepa), e Gean Carlos Bezerra Alves, respectivamente.
De acordo com o CNJ, os dois teriam atuado em conjunto para restringir a atuação processual da Eletrobras, o que teria viabilizado o levantamento fraudulento de grandes quantias.
Ainda segundo o Conselho, o magistrado proferiu decisões que resultaram na constrição de mais de R$ 100 milhões das contas da empresa, em uma execução de títulos executivos que já haviam decaído.
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