Receio com fim da 6×1 são alta dos custos e atraso de obras, diz CBIC
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou os despachos para encaminhar às comissões do Senado propostas de interesse do governo, entre elas a PEC do fim da jornada 6×1.
A medida deve seguir diretamente para a CCJ e, posteriormente, ao Plenário, após a definição dos relatores.
O avanço da proposta acende um alerta no setor da construção civil.
Leia Mais Quem é o fundador da Evergrande condenado à prisão perpétua na China Dívida pública recorde nas américas impacta financiamentos, avalia BIS Leilão da Casas Bahia tem descontos de até 86% em eletrodomésticos; confira Eduardo Aroeira, da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), avalia que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é legítima, mas questiona o momento e a forma como ela está sendo conduzida.
“É importante ressaltar que não se discute a importância da qualidade de vida do trabalhador.
O que se discute é o momento em que se é proposto isso”, afirmou.
Para ele, por ser proposta em ano eleitoral, a discussão corre o risco de perder profundidade em razão de motivações políticas.
Impacto direto na construção civil Aroeira detalhou os efeitos práticos que a aprovação da PEC, nos moldes em que saiu da Câmara dos Deputados, teria sobre o setor.
Segundo ele, a mudança exigiria a contratação imediata de mais de 300 mil trabalhadores, em um segmento que já enfrenta séria escassez de mão de obra.
“Nos últimos 12 meses, o aumento da mão de obra nas nossas obras supera mais que o dobro do IPCA” , disse, destacando que já existe pressão inflacionária no setor antes mesmo de qualquer alteração na escala de trabalho.
Ele acrescentou que a redução da jornada geraria uma demanda adicional de 208 horas por trabalhador, o que representaria mais de 600 milhões de horas a serem repostas.
“A nossa grande preocupação serão basicamente duas: o aumento de custos e também possíveis atrasos de obra” , resumiu.
Programas sociais e infraestrutura O representante da CBIC também projetou impactos sobre programas habitacionais e de infraestrutura.
De acordo com estudos da entidade, cerca de 30 mil famílias a menos por ano teriam acesso ao programa Minha Casa Minha Vida — o que, em cinco anos, corresponderia a quase meio milhão de pessoas.
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