Referendo sobre a UE na Islândia: em Reykjavik, campanhas do "sim" e do "não" disputam votos dos indecisos
Na véspera do referendo sobre a retomada das negociações de adesão à União Europeia, marcado para este sábado (29), a campanha está a todo vapor na Islândia. Na capital Reykjavik, ativistas dos dois lados tentam convencer os eleitores até o último minuto antes da votação.
Com uma pilha de panfletos debaixo do braço, Haraldur Olafsson caminha pelas ruas de Reykjavik. Sob um sol excepcionalmente generoso para a capital islandesa, na quinta-feira (27), o presidente da associação que se opõe ao referendo esperava convencer os últimos eleitores indecisos antes da votação de sábado.
Os cerca de 390 mil habitantes da ilha não votarão diretamente a favor ou contra a adesão à União Europeia (UE) . A questão é mais específica: o governo deve ter autorização para retomar as negociações de adesão com Bruxelas, suspensas em 2013? Caso o "sim" vença, qualquer acordo negociado terá de ser submetido a um segundo referendo.
A poucos dias da votação, o resultado permanece bastante incerto. Uma pesquisa do instituto Maskina, realizada entre os dias 21 e 25 de agosto, apontou 51,3% de intenções de voto favoráveis e 48,7% contrárias entre os eleitores que declararam uma preferência.
Para Haraldur Olafsson, professor de ciências meteorológicas que viveu na França por vários anos, o debate gira principalmente em torno da soberania nacional. E há um tema que concentra todas as preocupações: a pesca. Em 2025, os produtos do mar responderam por quase 39% das exportações de mercadorias da Islândia. O país construiu parte de sua prosperidade econômica e de sua identidade política sobre o controle de suas águas.
Entre as décadas de 1950 e 1970, as chamadas "Guerras do Bacalhau" colocaram a Islândia em confronto com o Reino Unido para ampliar sua zona de pesca e afastar embarcações pesqueiras estrangeiras. Meio século depois, o assunto continua sendo um dos mais sensíveis em qualquer discussão com Bruxelas. Hoje, Reykjavik mantém amplo controle sobre as cotas e a gestão de seus recursos pesqueiros.
A adesão à União Europeia integraria o país à Política Comum das Pescas, a política pesqueira da União Europeia. Em regra, as embarcações registradas na UE têm acesso igual às águas e aos recursos pesqueiros do bloco, com algumas exceções. As cotas também são definidas por normas europeias. É exatamente isso que preocupa Haraldur Olafsson.
"Nunca se sabe qual será a decisão da União Europeia em relação à pesca. Franceses, espanhóis, holandeses, todos querem vir pescar na Islândia. Tememos que não haja peixe suficiente para todos", afirma.
A pesca já era uma das questões mais sensíveis durante a tentativa anterior de adesão. A Islândia apresentou sua candidatura em 2009, após o colapso de seu sistema bancário, mas as negociações foram arquivadas quatro anos depois, com a chegada ao poder de um governo mais eurocético.
Haraldur Olafsson está convencido de que, mesmo que o "sim" vença no sábado, a adesão acabará sendo rejeitada.
"Muitos islandeses não querem impedir que seu governo negocie com a União Europeia.
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