Valdemar diz não ter gostado de carta golpista de Flávio Bolsonaro, divulgada ao chegar nos EUA
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, disse na manhã desta quinta-feira, 29, não ter gostado da carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no dia anterior.
'Vou contar muitas novidades para ele, contar como está toda essa situação para ele, vai dar tudo certo", disse Valdemar ao chegar para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Questionado o que tinha achado da carta de Flávio, ele respondeu: "Não gostei".
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou na quarta-feira, 28, que Valdemar visitasse Bolsonaro. O pedido foi feito pelo ex-presidente, alegando "necessidade de diálogo direto" após o filho Flávio deixar o País sem entregar os passaportes, como tinha sido determinado pelo Supremo.
Em junho, Moraes tinha proibido visitas a Bolsonaro com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições. Naquela ocasião, Flávio divulgou uma carta do pai nas redes sociais após visitá-lo, descumprindo, no entender do STF, a medida cautelar que vetava o uso de plataformas digitais por parte de Bolsonaro, inclusive por meio de terceiros. O senador ficou proibido de ver o pai por 90 dias.
A carta, divulgada por apoiadores e pelo próprio senador na quarta-feira teve três versões. A primeira tinha um brasão escrito "Estados Unidos do Brazil", com o nome do País escrito em inglês e a data de 15 de novembro de 1889. O emblema remonta à Proclamação da República e vigorou até 1968.
O manifesto foi enviado pelo comunicador Paulo Figueiredo. Quinze minutos após distribuir o texto, ele divulgou uma nova versão, atualizando o brasão com nome correto do País. Flávio abrandou o tom em uma terceira versão, publicada no X às 17h51, autointitulando-se "o líder do Brasil".
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão", escreveu o senador nas duas primeiras versões da carta.
Flávio chamou o resultado do segundo turno de "fraude eleitoral", sem apresentar provas, repetindo o discurso do pai Bolsonaro em 2022. O petista foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% de Flávio - por uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Também caracterizou como "atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula" a prorrogação em duas horas do horário de votação definida pelo ministro do STF Cristiano Zanin, após pedidos das duas chapas, PT e PL. O senador disse que a decisão acrescentou 10 milhões de votos a Lula. Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio pediram a prorrogação do segundo turno.
A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na noite do último domingo.
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