“Ameba de fogo” quebra recorde de temperatura mais alta suportada
Uma pequena ameba encontrada em águas geotérmicas da Califórnia, nos Estados Unidos, conseguiu fazer algo que, até então, parecia estar além dos limites da vida celular complexa: reproduzir-se a 63°C.
Incendiamoeba cascadensis, apelidada de “ameba de fogo”, estabeleceu assim um novo recorde de temperatura para a reprodução de eucariotos, grupo que reúne organismos cujas células possuem estruturas internas complexas, como um núcleo.
Vale lembrar que o limite anterior para a reprodução de eucariotos era de 60 °C, alcançado por algumas espécies de fungos e algas vermelhas.
Além disso, verificou-se que o animal unicelular também permanece ativo, deslocando-se em busca de alimento, a até 64°C – outra característica que o destaca entre os demais organismos extremófilos.
As descobertas foram descritas em um artigo publicado nessa terça-feira (22) na revista Cell.
Na comparação com bactérias e arqueas (grupo de organismos multicelulares procariontes) conhecidas por prosperar em ambientes vulcânicos, o marco de I. cascadensis pode até não parecer tão impressionante.
No entanto, a importância do achado está menos no valor absoluto e mais no tipo de célula capaz de suportá-lo.
O novo estudo implica que células eucarióticas mais complexas, com núcleo e outras estruturas internas, também podem tolerar um calor extremo que se acreditava ser limitante para esse grupo.
Desafio de manter a célula no calor Para entender a dificuldade, é preciso olhar para dentro da célula.
Bactérias e arqueas são procariontes: não possuem um núcleo separado nem estruturas internas delimitadas por membranas.
Já os eucariotos têm um núcleo, onde fica o DNA, além de estruturas como as mitocôndrias, responsáveis por funções essenciais como a produção de energia.
O problema é que temperaturas elevadas podem alterar proteínas e outras moléculas fundamentais para o funcionamento celular.
O calor também pode comprometer as membranas que envolvem diferentes partes da célula.
Por isso, pesquisadores haviam levantado a hipótese de que as membranas das estruturas internas dos eucariotos não conseguiriam permanecer estáveis acima de cerca de 62°C.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.