Vinhedos irrigados resistem à seca no Vale do São Francisco
Estudo conduzido na Unicamp mostra que a produção de uvas cresceu durante a estiagem de 2011 a 2019, mas a dependência de energia, infraestrutura e tecnologia expõe diferenças entre pequenos produtores e empresas
Estudo conduzido na Unicamp mostra que a produção de uvas cresceu durante a estiagem de 2011 a 2019, mas a dependência de energia, infraestrutura e tecnologia expõe diferenças entre pequenos produtores e empresas
Jaqueline Nichi | Agência FAPESP * – A seca que atingiu o semiárido brasileiro entre 2011 e 2019 reduziu quase à metade a precipitação média anual registrada no Projeto Público de Irrigação (PPI) Bebedouro, em Petrolina (PE). O reservatório de Sobradinho, responsável por regular a vazão do rio São Francisco, chegou a apenas 1% de seu volume útil. Embora a crise tenha exposto a vulnerabilidade estrutural e financeira dos agricultores para manter a água circulando, a irrigação conseguiu blindar as plantas da estiagem. Nos vinhedos de Bebedouro e do PPI Senador Nilo Coelho, a produção não diminuiu. Em alguns indicadores, cresceu.
A dinâmica desse fenômeno foi o alvo da pesquisa de doutorado do tecnólogo em viticultura e enologia Luiz Gustavo Lovato , professor do Instituto Federal do Sertão Pernambucano.
O trabalho, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade, vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas (Nepam), ambos da Unicamp, indica que a irrigação evitou que a falta de chuva se convertesse diretamente em escassez de água para as videiras. A proteção, porém, depende de estações de bombeamento, canais, energia elétrica, manutenção, informação técnica e capacidade de investimento, recursos que são distribuídos de forma desigual entre os agricultores.
“Em qualquer imagem de satélite ou quando você chega a Petrolina de avião, dá para ver: onde está verde, está irrigado”, diz Lovato. Nas imagens aéreas, os cultivos de uva, manga, goiaba e outras frutas formam manchas verdes em meio à vegetação sazonalmente seca da Caatinga nos perímetros dos 39 polos criados pelo governo federal para transformar o semiárido em zonas de alta produção agrícola.
Orientada por Jurandir Zullo Junior , coordenador da Trilha Agro do Brazilian Institute of Data Science ( BI0S ), um Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial (CPA-IA) apoiado pela FAPESP e sediado na Unicamp, a pesquisa combinou dados climáticos, hidrológicos, produtivos e socioeconômicos.
Lovato analisou séries de dados do reservatório de Sobradinho, de estações meteorológicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e dos dois distritos de irrigação.
Compreendendo municípios de Pernambuco e da Bahia, o Vale do Submédio São Francisco consolidou-se como um dos principais polos de agricultura irrigada do país. E isso se deve a dois fatores: clima quente e seco durante a maior parte do ano e acesso à água do rio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.