A urgência dos investimentos em dragagem no rio Tapajós
O Brasil reúne todas as condições para se consolidar como um dos corredores logísticos mais eficientes do mundo, combinando baixo custo, escala e menor emissão, e disputando espaço no mercado internacional com grandes competidores, como Estados Unidos e Argentina.
O potencial existe.
O que ainda falta, muitas vezes, é transformar essa vantagem natural em infraestrutura capaz de sustentá-la.
O Arco Norte consolidou-se como o principal corredor de exportação de granéis do país justamente por oferecer fretes competitivos e uma alternativa mais sustentável na comparação com outros modais.
Para se ter uma ideia, um comboio fluvial pode transportar até 70 mil toneladas, o equivalente a três trens de 200 a 240 vagões ou a retirar 1.600 caminhões das estradas em uma única viagem.
É ganho de escala, eficiência e competitividade.
Mas essa vantagem esbarra em gargalos estruturais históricos que, sucessivamente, o governo federal deixa em segundo plano.
A infraestrutura logística da região ainda carece de investimentos em acessos, ferrovias e, sobretudo, em navegabilidade.
É uma contradição difícil de justificar: justamente a região brasileira com maior vocação para o transporte em larga escala continua convivendo com insegurança hídrica e estrutural.
As mudanças climáticas tornaram essa fragilidade ainda mais perigosa.
A chegada do El Niño traz de volta a lembrança da crise de 2023/2024, quando secas severas atingiram a Amazônia e a Bacia do Tapajós registrou déficit de chuvas de até 80 mm.
Agora, as projeções do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) apontam 98% de probabilidade de um El Niño intenso em 2026, com efeitos que podem se estender até fevereiro de 2027.
É exatamente neste cenário que a dragagem do Tapajós deixa de ser apenas uma demanda de infraestrutura e passa a ser uma urgência.
Embora o governo federal tenha gasto cerca de R$ 300 milhões nos últimos três anos com dragagens emergenciais nas hidrovias da Amazônia, especialmente no Rio Madeira, a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) alerta para a fragilidade desse modelo reativo: as providências costumam chegar quando o problema já está instalado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.