O Grande Debate: Lula transformou a ONU em palanque eleitoral?
O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos debateram, na terça-feira (22), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se “Lula transformou a ONU em palanque eleitoral”.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o primeiro chefe de Estado a discursar na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, e o conteúdo de sua fala gerou intenso debate no Brasil.
O discurso, repleto de referências à soberania nacional , críticas indiretas ao governo de Donald Trump e menções a conquistas do governo brasileiro.
Leia Mais Sem coletiva nem Trump e discurso lido: como Lula evitou polêmicas na ONU Análise: Lula prioriza falas sobre legado a escalar embate sobre soberania Lula chega a Nova York para Assembleia Geral da ONU Discurso serviu aos interesses eleitorais Para Ana Amélia, a resposta é direta.
“O presidente Lula subiu no palanque e cunhou uma frase que vai servir pronta para os seus marqueteiros”, afirmou, referindo-se à expressão “O Brasil não é quintal de ninguém”, utilizada por Lula durante o discurso.
Segundo ela, a frase traduz a postura de um candidato à reeleição empenhado em defender a soberania do país diante do público interno.
Ana Amélia destacou ainda que Lula aproveitou a tribuna das Nações Unidas para lembrar que ocupava aquele espaço pela décima vez, além de mencionar pautas de forte apelo popular no Brasil.
Entre os temas citados, estão a jornada de trabalho 6×1, o PIX — que ela ressaltou ter sido criado no governo anterior — e críticas às possíveis medidas do governo americano em relação ao território brasileiro.
“Ele aproveitou exatamente o espaço de grande destaque às vésperas praticamente do período eleitoral para reafirmar aqueles pontos que ele considera a grande vitória do seu governo”, concluiu.
Oportuno e não meramente eleitoral Já José Eduardo Cardozo defendeu uma distinção fundamental.
“Tem que se fazer uma diferença muito grande entre um discurso eleitoral e um discurso que pode ter efeitos eleitorais”, argumentou.
Para ele, Lula fez “a pontuação correta diante do que está acontecendo no mundo”, especialmente diante das declarações de Trump sobre o uso de força militar em relação a países da América Latina.
Cardozo sustentou que a defesa da soberania nacional não é uma questão ideológica.
“Soberania não é de esquerda nem de direita, é de decência patriótica, é de decência cidadã”, disse.
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