MPF quer presença de procuradores em ações com morte; policiais veem 'ódio'
Após o MPF (Ministério Público Federal) definir que membros do órgão devem comparecer aos locais onde existem suspeitas de mortes envolvendo policiais para resguardar provas, policiais federais passaram a reclamar, apontando "ódio" contra forças de segurança.
Policiais federais estão descontentes com a nova determinação do Ministério Público Federal, acreditando se tratar de desconfiança entre os órgãos. A reação acontece após o Conselho Superior do Ministério Público Federal definir no último dia 7 que membros do MPF devem comparecer em casos de suspeita de crimes em ações das polícias.
A medida do MPF determina que procuradores devem comparecer a locais quando houver suspeita de morte com participação de policiais. O conselho superior do órgão decidiu que membros do MPF devem ir ao local preservar provas e evitar a perda ou alteração de evidências das mortes.
Os procuradores podem reunir imagens, gravações, documentos e tudo que for importante como prova dos delitos, mesmo que a ocorrência ainda esteja em andamento. O órgão quer que os oficiais estejam nos locais das operações para observar e intervir em ações das polícias.
A medida não agradou alguns policiais federais, que reclamaram da resolução: "Coisa de maluco isso aí...não faz sentido". O UOL ouviu quatro agentes da Polícia Federal, em condição de anonimato, que relataram preocupação em casos de grandes operações chefiadas pelo órgão.
Quero ver um confronto em área indígena no interior do Amazonas com morte. Vai subir em comunidade? Vai em área de garimpo? Estão ficando malucos. Policial federal, em anonimato
Os agentes relatam que grandes operações acontecem, muitas vezes, em lugares remotos, longe da procuradoria. Isso inviabilizaria a participação de membros do MPF, de acordo com os policiais ouvidos.
Além disso, acredita-se que os procuradores não teriam a garantia da segurança resguardada, já que estariam, muitas vezes, em ambientes controlados pelo crime organizado — citando operações contra facções e em garimpos. Para os agentes ouvidos, o MPF não teria estrutura ou efetivo para isso.
Os policiais também questionaram porque apenas homicídios envolvendo ações das forças de segurança serão averiguados, e não em casos gerais. Eles creem que há um "ódio" sendo nutrido contra as forças policiais.
Não faz sentido e nem é possível. Isso mostra um viés muito ruim. Os outros homicídios não precisam (da presença do MPF)? Os outros homicídios não atraem o ódio que alguns nutrem contra as forças policiais Policial federal, em anonimato
Atuações dos membros do Ministério Público in loco podem criar "preocupação a mais" para os policiais. Roberto Uchôa, especialista em segurança pública e pesquisador na Universidade de Coimbra, disse que o MPF está tentando desempenhar seu papel, que é tomar conhecimento das ações, mas que sem preparo para ida a campo, pode colocar promotores em risco.
Você ter procuradores em operação para fazer o papel de acompanhar a atuação é complicado, pois não são todas que são iguais. Se for feito em uma operação de busca e apreensão, não vai ter problema, mas se for em área conflagrada, e o promotor está no campo, o promotor vai ser fator de risco.
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