6×1: O fim de uma escala que nem Deus aguentou
No poema mítico da criação, diz a narrativa bíblica que Deus criou os céus, a terra, os mares, os animais e toda a humanidade em seis dias.
No sétimo, descansou.
E olhem que estamos falando do Todo-Poderoso, aquele que não precisa tomar café para enfrentar a segunda-feira, não pega dois ônibus para chegar ao trabalho e não depende do despertador tocando às cinco da manhã.
Pois até Deus descansou! Permitam-me a brincadeira teológica: talvez uma das primeiras lições trabalhistas das Escrituras esteja logo no começo da Bíblia.
Depois de seis dias de atividade, veio o descanso, porque o descanso faz parte da própria ordem da criação.
O ser humano não foi feito apenas para trabalhar.
Foi feito para viver.
E lamento àqueles que pegam esse texto para, numa leitura literal, evocar seis dias de trabalho e um de descanso.
Leiam por um outro viés: seis dias de trabalho, até para Deus, o Todo-Incansável, pareceu uma jornada pesada.
Ele “precisou” descansar.
Muitos séculos depois, inventamos a escala 6×1 e, em nome da produtividade, passamos a tratar o descanso como luxo, a convivência familiar como detalhe e o tempo livre como extravagância de gente preguiçosa.
Parecia que alguns patrões haviam decidido corrigir a Bíblia: se Deus descansou no sétimo dia, o trabalhador que se virasse para encontrar tempo de viver no único dia que lhe sobrava.
Quem precisa de tempo para os filhos, para amar, encontrar os amigos, cuidar da saúde ou simplesmente não fazer nada? Para quem enxerga o trabalhador apenas como uma peça da engrenagem econômica, essas coisas parecem secundárias.
O importante é manter a máquina funcionando.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.