Desapareceram
Os institutos de pesquisas eleitorais que vendem resultados estão praticamente sumidos.
Por quê? Simples assim: faltando poucos dias para as urnas se pronunciarem em segundo turno, portanto em definitivo, por que muitos dos nossos institutos de pesquisas se esconderam, buscando preservar os seus nomes para reaparecerem nas próximas eleições? Logicamente, para não serem desmoralizados no curtíssimo prazo.
A propósito, quando ainda faltavam meses para a disputa da nossa presidência da República, no curso do primeiro turno, em quase todos os institutos de pesquisas o candidato Lula sempre aparecia em primeiro lugar.
Mas, quando as urnas foram abertas e o candidato Flávio Bolsonaro emergiu na liderança logo no primeiro turno, apenas dois dos nossos institutos de pesquisas — o Datafolha e o Quaest — continuaram publicando os seus levantamentos, certamente porque, até prova em contrário, os referidos institutos não venderam resultados, nem contra nem a favor de determinadas candidaturas.
Em princípio, sou favorável às pesquisas e, como engenheiro civil, profissionalmente mais ainda, conquanto as mesmas sejam tecnicamente realizadas — em particular as de natureza eleitoral, posto que as predisposições dos eleitores por vezes chegam a variar de um dia para outro, e mais frequentemente no decorrer das próprias campanhas eleitorais.
Que os futuros candidatos das nossas próximas eleições — as municipais de 2028 e as gerais de 2030 — não voltem a contratar os mesmos institutos de pesquisas que comercializaram seus resultados, pois só assim poderemos excluí-los do nosso mercado eleitoral.
Falando-se em mercado eleitoral, nunca na nossa história a dinheirama correu tão solta quanto na mais recente disputa e, pior ainda, alimentada com recursos públicos, ou mais precisamente com a dinheirama dos fundos partidários e eleitorais e com o mar de dinheiro advindo das chamadas emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos.
Quem se elege comprando não fica devendo nada a ninguém, sobretudo aos seus próprios eleitores, até porque, tratados como mera mercadoria, quem comprou e pagou pelos votos quita sua dívida com a transação — restando dever apenas à nossa própria democracia.
Por último: urge que uma nova legislação político-eleitoral e partidária venha a ser instituída, ainda que muito tardiamente.
Do contrário, por mais uma vez — como tantas já foram as oportunidades perdidas —, o futuro do nosso país será novamente adiado.
Voto não é uma mercadoria que se compra e se vende; e, quando isso acontece, mais nos distanciamos da nossa promissora democracia.
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