Cameli
E não teve jeito.
Pelo menos nominalmente, o Acre continua sendo comandado pelas famílias Viana e Cameli ao longo dos últimos 30 anos.
Apesar de ser Assis, Mailza agora é uma Cameli no último sobrenome.
O único que quebrou esse ciclo, apesar de ser do grupo petista, foi Binho Marques, que é amigo de Jorge, mas nunca chegou a ter o sobrenome.
Pois muito bem! Houve um tempo em que Mailza Assis, então esposa do ex-prefeito James Gomes — alçado ao comando de Senador Guiomard e reeleito nas glórias de 2012 —, passava longe de flertar com o Olimpo do poder.
Seu delírio de grandeza era quase franciscano: queria apenas ocupar a Secretaria de Ação Social na gestão do próprio marido.
Era uma figura tão avessa aos holofotes que sequer assombrava o fundo das fotografias oficiais da prefeitura.
Um autêntico fantasma institucional.
Mas, como a sorte costuma sorrir para quem está exatamente no lugar certo e na hora marcada, os céus de repente se abriram.
E, em vez de chuva, despencou sobre Mailza um glorioso feixe de bênçãos: amanheceu suplente de senadora de Gladson Cameli, aquecendo a cadeira em Brasília de 2019 a 2023.
Como um bilhete de loteria raramente vem desacompanhado, logo na sequência, foi ungida a vice na chapa do mesmo Gladson, em 2022.
E não é que assumiu o posto com a naturalidade de quem já consolida o terreno para uma bela reeleição? Os profetas do apocalipse político, claro, eram unânimes.
Juravam de pés juntos que a moça não tinha apelo popular e que levaria um baile coreografado do senador republicano Alan Rick.
Contudo, para o absoluto espanto da plateia (e calafrio dos adversários), o que emergiu das urnas não foi uma coadjuvante assustada, mas uma mulher obstinada e, ironia das ironias, uma autêntica devoradora de votos.
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