Reforma tributária mudará lógica de expansão da indústria automotiva, avaliam especialistas
A reforma tributária dá início a uma nova fase para a indústria automotiva brasileira após décadas de influência de incentivos estaduais de ICMS sobre decisões de investimentos.
Segundo especialistas consultados pelo JOTA , a competitividade do setor tende a migrar para fatores como eficiência logística, gestão de créditos tributários, organização da cadeia de fornecedores e adaptação ao novo modelo de tributação sobre o consumo.
Durante décadas, benefícios de ICMS foram utilizados para compensar desvantagens estruturais de estados distantes dos principais centros consumidores.
Bahia e Pernambuco, com o Programas que impulsionaram a interiorização da indústria automotiva, como o Desenvolve e Prodepe (Pernambuco), por exemplo, consolidaram importantes polos automotivos apoiados em programas estaduais de desenvolvimento industrial.
Com a tributação no destino, esse diferencial tende a desaparecer gradualmente.
Conheça o JOTA PRO Tributos, plataforma de monitoramento tributário para empresas e escritórios com decisões e movimentações do Carf, STJ e STF Embora o novo modelo prometa simplificar a tributação no longo prazo, o período de transição deve aumentar a complexidade operacional das empresas.
A partir de 2027, a CBS , o IBS e os tributos atuais conviverão durante vários anos, exigindo adaptações em sistemas, emissão de documentos fiscais, controles internos e planejamento financeiro.
Os benefícios permanecem vigentes durante a transição, mas começam a perder efetividade a partir de 2029 e serão extintos até 2032.
Transição exigirá adaptação Segundo tributaristas com atuação no setor, isso não significa uma migração imediata das fábricas, já que a decisão de transferir uma indústria envolve investimentos bilionários, contratos de longo prazo e cadeias produtivas complexas.
Ainda assim, há expectativa de que futuras expansões passem a considerar principalmente a proximidade dos mercados consumidores, a infraestrutura logística e a eficiência operacional.
Para Guilherme Villas Bôas, líder de Contencioso Tributário do ButtiniMoraes, a mudança ultrapassa o aspecto tributário e atinge o próprio modelo de negócios das empresas.
“O setor automotivo é quase como uma calça de festa junina, cheio de remendos, porque convive com PIS e Cofins cumulativo, não cumulativo e monofásico ao mesmo tempo.
Falar de reforma tributária agora é falar de uma reforma de negócio, não de tributo.
A ideia é passar uma borracha e tributar operação por operação, acabando com a figura de uma única empresa recolhendo por toda a cadeia.” Segundo Villas Bôas, 2026 tem sido um ano dedicado principalmente à elaboração de simulações pelas empresas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.