Alemanha diz que interromper desenvolvimento da IA não é "viável"
BERLIM/BRUXELAS/LONDRES, 14 Set (Reuters) - A Alemanha afirmou nesta segunda-feira que interromper o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial não é uma “opção viável” para a Europa, enquanto os governos da região respondiam a um apelo de um importante executivo do setor de tecnologia para desacelerar o avanço da IA e dedicar mais tempo aos testes.
O debate sobre a segurança da IA voltou aos holofotes no fim de semana, quando o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que as empresas pioneiras em IA deveriam ser submetidas a uma análise independente e trabalhar em padrões comuns, à medida que surgem sistemas cada vez mais poderosos.
O Ministério de Assuntos Digitais da Alemanha afirmou que interromper o desenvolvimento da IA não é realista.
“Não consideramos a interrupção do desenvolvimento uma opção viável para a Europa”, disse um porta-voz do ministério, acrescentando que o fortalecimento da soberania digital da Europa exige mais desenvolvimento e inovação em IA.
Ao mesmo tempo, Berlim afirmou que está acompanhando de perto os desenvolvimentos globais em IA e levando a sério as advertências públicas dos principais desenvolvedores.
O ministério afirmou que sistemas de IA capazes de sair de ambientes de teste e acessar outros sistemas por conta própria — como visto em julho, quando agentes da OpenAI invadiram a plataforma de código aberto Hugging Face — representariam “um cenário de ameaça totalmente novo”, exigindo uma nova resposta política.
O porta-voz também apoiou a coordenação internacional em matéria de governança da IA, afirmando que uma supervisão eficaz exigiria a participação tanto dos Estados Unidos quanto da China. A Alemanha está levantando a questão no âmbito do G7, acrescentou o porta-voz.
Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, disse que há um debate crescente sobre a necessidade de um acordo internacional para gerenciar os riscos da IA, comparando algumas propostas aos acordos de não proliferação nuclear.
“As vozes que ouço atualmente parecem estar buscando algum acordo internacional que nos permita, digamos, limitar os riscos da inteligência artificial”, disse López à emissora estatal TVE.
López afirmou que a IA oferece enormes oportunidades, incluindo a descoberta de novos medicamentos e o aprimoramento de tratamentos, mas também apresenta riscos significativos em áreas como finanças e segurança cibernética.
Ele criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por desconsiderar as preocupações expressas por pesquisadores e desenvolvedores de IA.
A Comissão Europeia afirmou que inovação e segurança precisam andar de mãos dadas.
“A União Europeia é a favor do desenvolvimento da inovação em inteligência artificial, mas as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros para que os cidadãos possam operá-los no bloco”, disse o porta-voz da Comissão, Thomas Regnier.
O Reino Unido acolheu com satisfação o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos apresentados por sistemas cada vez mais poderosos, mas afirmou que qualquer resposta regulatória futura deve ser baseada em evidências, e não em especulações.
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