André Esteves, do BTG, diz que ajuste fiscal deveria começar antes da posse
Controlador do BTG Pactual, André Esteves defendeu que o próximo presidente comece a encaminhar o ajuste fiscal logo após a eleição, antes mesmo da posse, com uma PEC da transição em novembro.
"Está na hora de a gente fazer a PEC da transição em novembro desse ano", disse o banqueiro, durante o seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo.
"Seja Lula, seja Flávio, ou qualquer outro candidato, existe um último passo a ser dado na consolidação da estabilidade econômica brasileira", afirmou.
Ele esteve tanto com Lula (PT) como com Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas semanas. Com o presidente, ele se encontrou, junto com outros empresários, em um jantar no palácio da Alvorada, no início do mês. E esteve reunido com Flávio, em Brasília, em agosto.
Para Esteves, o próximo governo terá condições de fazer um ajuste relativamente simples, visando equilibrar as contas públicas e, com isso, reduzir o custo do dinheiro no país. Segundo ele, um ajuste permitiria ao Brasil ter juros em torno de 7% ao ano, metade da atual taxa Selic.
Ele criticou que o país mantenha uma política fiscal expansionista ao mesmo tempo em que o Banco Central tenta conter a economia com juros elevados.
"Se você dirigir um carro e apertar o acelerador e o freio ao mesmo tempo, você vai ter que pisar muito mais no freio. É mais fácil tirar o pé do acelerador que precisar ficar freando", comparou.
Esteves foi ainda mais enfático ao falar sobre alternativas ao ajuste. Para ele, acreditar que existe outro caminho para uma redução sustentável dos juros é "negacionismo econômico".
Segundo ele, uma queda significativa da taxa de juros teria efeito maior sobre a economia do que medidas pontuais de estímulo. "O juro sair de 14 [pontos percentuais ao ano] para sete é uma transformação nesse Brasil", afirmou.
Além da questão econômica, ele afirmou que o desafio é impedir o avanço de atividades informais e de empresas que operam à margem das regras e deixam prejuízos bilionários, o que chamou de "a guerra do Brasil institucional contra o Brasil não institucional", uma disputa que, segundo ele, o país "não pode perder".
Na avaliação do banqueiro, o próximo presidente também terá condições políticas para aprovar as mudanças necessárias no Congresso. Ele citou como exemplos as reformas trabalhista, previdenciária e tributária aprovadas nos últimos anos, respectivamente nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.
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