A escolha e o drama do espelho
Este domingo é uma referência importante para a campanha de 2026: marca o início do período em que os candidatos podem, de forma pública, pedir votos, turbinar conteúdos nas redes sociais. Enfim, chegou o tempo de o candidato pedir voto. E isso é muito importante para quem lida com Agricultura, Pecuária ou com produtos da Economia Florestal.
Este espaço não vai (e nem pode) ser tendencioso para um ou outro candidato. O que este editorialista deve fazer é um convite. Mas, antes, é preciso lembrar a quem se faz o convite. Quem está lendo estas linhas, provavelmente, já sabe em quem vai votar para ocupar o Palácio Rio Branco. Leitor que se interessa pelo noticiário agropecuário (e, ainda mais especificamente, que dedica tempo a ler editorial de jornal) já tem definida a decisão.
Tendo isso como premissa, o convite soa quase como uma brincadeira, um jogo: relacione a sua decisão já tomada com os Programas de Governo que foram apresentados à Justiça Eleitoral e divulgados na internet. A imprensa até ensaiou alguma análise de ou ou de outro candidato. Faça-se perguntas como: “quais propostas o meu candidato apresenta que devem impactar diretamente a rotina no meu lote no assentamento, na minha colônia, na minha fazenda?”; “O que o meu candidato pensa sobre os reais problemas que temos na agricultura?”; “Em quem eu vou votar, fala o quê sobre embargos ambientais ou sobre regularização fundiária?”; “O meu candidato avalia a política ambiental como inimiga do produtor?”; “Sobre acesso ao crédito bancário, o nome que escolhi para governar o Acre só sabe dizer que ‘os bancos públicos são burocráticos’? É só isso o que ele entende do assunto?”
E mais: “Sobre o endividamento rural, o nome que escolhi apresenta alguma proposta de forma clara?”; “E sobre o seguro agrícola para o agricultor de base familiar… quando a enchente atinge o roçado ou a seca que se avizinha atinge o bolso do produtor, quais as propostas?”.
Outra coisa: “E sobre a recomposição de Áreas de Proteção Permanente, o que está sendo defendido pelo candidato que eu já escolhi?”; “De forma leviana, ele está criminalizando as APP’s?”; “De forma inconsequente, o meu candidato está dizendo que a recuperação de áreas degradadas ou que a questão do passivo ambiental é um problema que não é de responsabilidade também do produtor?”
Outro assunto: “Sobre infraestrutura, o meu candidato só sabe dizer que ‘tem que fazer ramal!’ É só isso o que ele apresenta?”
É preciso tomar cuidado, inclusive, para que a pessoa escolhida não prometa aquilo que nem tem condições de cumprir. Por exemplo: sobre endividamento rural, é algo que, dificilmente, o ocupante do Palácio Rio Branco terá condições de tratar com eficácia. Isso é um problema cuja equação só encontra resposta exequível na Política Econômica. É conversa para o Ministério da Fazenda apontar rumos. A Secretaria de Estado de Fazenda tem pouca influência direta nesse assunto. Se o candidato escolhido prometer resolver esse problema de cabo a rabo, é bom desconfiar.
Da mesma forma são os problemas de ordem ambiental. É preciso separar e detalhar os assuntos. Há situações em que o Estado do Acre pode, sim, interferir. Há outros que não.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ac24horas.com — o conteúdo pertence a ac24horas.