Os efeitos colaterais no Brasil depois de John Textor e Memphis Depay
Ninguém perguntou por ele depois da derrota do Botafogo para o Cienciano, por 6 a 1, enquanto muita gente apontava para o técnico Franclim Carvalho ou para o goleiro Warleson a culpa pela maior derrota de qualquer clube brasileiro na história dos torneios continentais.
Nas Laranjeiras, sede do Fluminense, a apenas 3,4 quilômetros da rua General Severiano, onde fica o Botafogo, perguntava-se por que Luis Zubeldía não investia em jovens da base e contratava Rodrigo Castillo, do Lanús, por R$ 52 milhões.
Não é uma relação imediata de causa e efeito, mas é por causa do que Textor causou de prejuízo na cultura e no analfabetismo do futebol do Brasil.
Os clubes de outros países da América do Sul inflacionaram o mercado e passaram a cobrar preços à vista, porque o Botafogo pagava muito — Flamengo e Palmeiras também — e porque Textor dava calote. À vista, não haveria risco.
O Fluminense tinha política de não contratação entre 2020 e 2022 —comprou apenas o lateral Guga e o atacante Keno, em 2023, e ganhou a Libertadores. Correu risco de rebaixamento em 2024 e, por isso, comprou Bernal e Serna. A torcida cobrou centroavante, porque os rivais tinham, e o Fluminense ouviu que só poderia pagar à vista por bons jogadores na casa dos US$ 5 milhões.
Preferiu pagar US$ 10 milhões por Rodrigo Castillo, carrasco do Flamengo, em quatro parcelas anuais de US$ 2,5 milhões. Se não virar SAF, no ano que vem, não vai contratar. Fechará cofres e torneiras, como fazia até 2022.
O Corinthians, não. Contratou Memphis na esteira John Textor, precisava concorrer com quem concorria com o Botafogo — e com os corintianos, ganhou três títulos após seis anos de seca, desafiou o Palmeiras, a quem eliminou na Copa do Brasil, e o Flamengo, de quem ganhou na Supercopa.
E, então, quebrou! Quer dizer, já estava quebrado enquanto investia, exatamente como o Botafogo de John Textor fazia, enquanto o empresário norte-americano envergava o cabo da bandeira que balançava fazendo populismo oficial dentro do estádio Nilton Santos.
Não se sabe ao certo o que John Textor fez com sua bandeira, mas ela não foi hasteada em Cusco, durante a derrota por 6 a 1 para o Cienciano. O futebol brasileiro também anda com suas bandeiras a meio mastro depois da Copa do Mundo.
Os problemas do pós-populismo chegaram até ao governo dos Estados Unidos, a ponto de o diretor-executivo da força tarefa para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, ter afirmado, incorretamente, que o árbitro brasileiro Raphael Claus foi investigado. Efeito colateral das declarações falsas de um estudo fajuto encomendado por John Textor sobre arbitragem no Brasil.
Quase sempre se aponta para o vilão errado. O Botafogo usa o dedo indicador para o técnico Franclim Carvalho, o São Paulo para seus técnicos e jogadores, o Fluminense para o treinador que não usava os revelados em Xerém, quase sempre contratados mais tarde pelo Flamengo.
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