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A forma democrática e o detalhe inabalável

ac24horas ·
A forma democrática e o detalhe inabalável

Em tese, a campanha eleitoral começa hoje. Formalmente, é a partir deste 16 de agosto que o eleitor pode ser abordado com o famoso “se você já não tiver compromisso, peço que avalie meu nome para deputado!”. Ou alguns mais diretos: “Eu peço o seu voto!”, olhando no olho e segurando com as duas mãos a incomodada mão do eleitor.

O que precisa ser valorizado, no entanto, é o processo. A imprensa exige “propostas” e “programas de governo”. O eleitor comum, aquele que pouca intimidade tem com a rotina política, quando exige, remete às coisas mais básicas. O eleitor (ou a eleitora) mais politizado costuma ter um espectro de exigência em torno de si. Raros são os votantes que trazem no paneiro um conjunto de reivindicações coletivas, em torno de uma comunidade inteira ou de uma classe social específica.

Há também os eleitores que vendem o voto. A julgar pela eleição passada, o mínimo que a cotação deve exigir neste pleito é R$ 150. A venda do voto é o reflexo mais imediato da perpetuação do ciclo de pobreza e miséria.

Mas que ninguém aponte o dedo da moralidade para a culpa do eleitor. Tem faturas mais caras sendo pagas. As composições partidárias que o digam. E, neste nível da conversa, as cifras são bem menos modestas. Sem contar as outras formas de “venda de voto”: há votos vendidos por cargos; há votos vendidos por obras; há votos vendidos por licitações. Todo esse comércio efetivado e muitas vezes noticiado é percebido pelo eleitor: cria-se uma referência nada pedagógica para o cidadão. Mesmo com todos esses problemas, mesmo com todas as mazelas, a forma democrática é a que melhor respeita o cidadão. Ela respeita até mesmo quem não simpatiza muito com ela. Por exemplo: há candidatos que já estão pedindo o voto do eleitor e que defendem a ditadura militar. Dizem isso abertamente, sem corar. E acham que estão sendo corretos e honestos ao dizer isso. Mas há um limite.

A Democracia estabelece um limite e esse limite é a própria forma democrática. Isso quer dizer que não é possível, pela Democracia, exigir menos democracia. Quem acompanha com alguma atenção o noticiário nacional dos últimos três anos não terá dificuldade em perceber isso. As próprias instituições equacionam, problematizam e se ajustam de maneira a preservar a ordem e a forma democrática.

O processo do voto é uma das maneiras de cultivar a forma democrática. Mas está muito longe de ser a única. A cidadania é um exercício cotidiano, rotineiro. Está na cobrança por saneamento básico; está na exigência por um transporte coletivo de qualidade; está no debate de entender o transporte como um bem coletivo e comum, como a Saúde e a Educação. A cidadania se revela na revolta contra a desigualdade social; contra o absurdo que é a concentração de renda no Acre.

Esses temas tornam o ato de votar até pequeno, diante de tantos desafios. A diferença é que esses assuntos, para serem discutidos, planejados e executados como política pública, precisam de uma estrutura plural, coletiva, diversa. E isso não se encontra na percepção iluminada de um único indivíduo. Não há salvador e nem salvadora. Existe a forma democrática.

Ninguém abre mão de votar. Jamais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ac24horas.com — o conteúdo pertence a ac24horas.

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