Autor de impeachment da Dilma declara voto em Lula: 'Flávio é precipício'
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O jurista Miguel Reale Júnior , ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff , decidiu declarar voto em Lula ( PT ) no segundo turno da eleição presidencial. Para ele, a escolha é necessária para evitar o que classifica como um "retorno à intranquilidade" vivida durante o governo Jair Bolsonaro .
"É fundamental que Lula seja eleito nosso presidente porque teremos a garantia da manutenção da democracia, do respeito ao Estado de Direito, da não instalação de um Estado policialesco e da salvaguarda da nossa soberania", afirmou à coluna.
Reale Júnior reconhece o desgaste do PT e do próprio Lula e diz que existe um sentimento de mudança entre os eleitores. Na avaliação dele, porém, esse sentimento não pode levar o país "para o precipício". "Com Flávio é precipício", disse.
O jurista também criticou o que considera falta de clareza nas propostas de Flávio Bolsonaro ( PL ), que disputa o segundo turno contra Lula. "É uma pessoa que não se conhece, irrelevante como senador, irrelevante como político. Não sabemos quais são as suas ideias, nem quem lhe dá ideias", afirmou.
A declaração ocorre após Flávio dizer que pretende "redemocratizar o país" e mudar a Constituição caso seja eleito. Questionado depois, o candidato citou exemplos de PECs (propostas de emenda à Constituição) como redução da maioridade penal , reforma do Judiciário , reforma política, mudanças na reforma tributária e fim da reeleição para presidente.
Para Reale Júnior, a fala "não assusta, mas mostra ignorância" sobre o funcionamento das instituições. Os exemplos dados depois por Flávio foram considerados como "pífios" pelo jurista e nada agregam para um melhor funcionamento da democracia.
Reale Júnior afirma ainda não se arrepender de ter participado do processo que levou ao impeachment de Dilma , em 2016, e não vê ligação entre o acontecimento e a ascensão da extrema-direita no país. O pedido foi elaborado por ele, pelo jurista Hélio Bicudo e pela advogada Janaina Paschoal, atual vereadora da Câmara Municipal de São Paulo.
"Não há nenhum arrependimento. O PT teria se afundado muito mais se Dilma não tivesse sido afastada, porque nós estávamos numa recessão de -7% e ela fechou os olhos para corrupção na Petrobras e na Eletrobras", afirmou.
Reale Júnior também foi o primeiro signatário de um pedido de impeachment de Bolsonaro apresentado após a CPI da Covid, bem como participou da elaboração do pedido contra Fernando Collor.
"Não é porque agora eu voto no Lula que estou arrependido de ter tirado a Dilma. Pelo contrário, é uma linha de coerência", afirmou.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.