A socialização do voto
O ano era 2002.
Eu era uma jovem adulta, universitária, estudante de Ciência Política e membro de uma igreja evangélica que tinha um candidato a deputado distrital.
Eu tinha uma compreensão muito diferente sobre o voto e discordava da igreja.
O voto era secreto, individual, e me incomodava profundamente que a minha comunidade tivesse um candidato.
Havia reuniões de estratégia que, para mim, se pareciam com cultos.
Não eram discussões políticas sobre projetos ou ideias.
Eram sermões em que só um falava sobre o candidato.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Como jovem estudante de Ciência Política, protestei.
Reclamei.
Me opus.
E sofri por isso.
“Só a Andreza entende de política.” “Sabe melhor do que todo mundo.” “Rebelde.” E, no repertório religioso, vinha uma frase ainda mais pesada: “rebeldia é como pecado de feitiçaria”.
A pressão não ficava apenas nas palavras.
Em determinado momento, eu já não podia falar nas reuniões de discipulado.
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