Cientistas encontram colágeno em fóssil de dinossauro de 66 milhões de anos
Fóssil: pesquisadores encontraram evidências de colágeno preservado em um osso de dinossauro do fim do período Cretáceo (Universidade de Liverpool)
Pesquisadores encontraram fortes evidências de que moléculas originais de colágeno podem sobreviver preservadas em fósseis de dinossauros por dezenas de milhões de anos. A descoberta, feita em um osso de Edmontosaurus com cerca de 66 milhões de anos, desafia uma ideia amplamente aceita na paleontologia de que a fossilização destruiria completamente proteínas e outros materiais orgânicos.
O estudo, publicado na revista Analytical Chemistry , analisou um fóssil excepcionalmente preservado e reforça um debate científico que se estende há cerca de três décadas sobre a possibilidade de biomoléculas originais permanecerem preservadas em fósseis tão antigos.
A equipe examinou um sacro — conjunto de vértebras ligado à pelve — de um Edmontosaurus , um dinossauro herbívoro conhecido como "dinossauro bico-de-pato".
O osso, com aproximadamente 22 quilos , foi encontrado na Formação Hell Creek , em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, uma das jazidas fossilíferas mais importantes do mundo para o estudo dos últimos dinossauros que viveram antes da extinção em massa do fim do Cretáceo.
O excelente estado de conservação do espécime permitiu aos pesquisadores aplicar diferentes técnicas para investigar a presença de biomoléculas remanescentes no tecido fossilizado.
Os cientistas utilizaram métodos como espectrometria de massa e sequenciamento de proteínas para procurar assinaturas moleculares características do colágeno , principal proteína estrutural dos ossos.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) também detectaram hidroxiprolina , um aminoácido fortemente associado a essa proteína. Já o Centro de Pesquisa em Proteoma da Universidade de Liverpool identificou fragmentos de colágeno alfa-1 , a forma predominante encontrada nos ossos .
Segundo os autores, o conjunto dessas evidências reforça a hipótese de que parte do material orgânico identificado pertence ao animal original, e não resulta de contaminação posterior.
Desde a década de 1990, cientistas discutem se proteínas identificadas em fósseis de dinossauros realmente sobreviveram ao processo de fossilização ou se teriam sido introduzidas posteriormente por microrganismos, solo ou pelo próprio manuseio das amostras.
Para o professor Steve Taylor, da Universidade de Liverpool e um dos autores do estudo, os resultados demonstram que biomoléculas orgânicas podem, de fato, permanecer preservadas em alguns fósseis do Mesozoico .
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