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O Burger King sentava com o Méqui. E você, conversa com quem?

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O Burger King sentava com o Méqui. E você, conversa com quem?

Nas últimas semanas, participei de alguns eventos do setor. E em todos eles, vi a mesma história.

Na Fipan (Feira Internacional de Panificação), descobri que padarias estão vendendo pãozinho, café e leite por delivery. Na sequência, numa convenção de uma rede de milkshake com quase mil pontos de venda, ouvi de um franqueado que 40% das suas vendas já chegam pelo aplicativo. E no iFood Move, onde palestrei no ano passado, olhei para a plateia e vi algo que não existia alguns anos atrás.

Quando eu fazia palestras sobre delivery, a plateia era basicamente de donos de pizzaria. Gente que entendia o delivery como extensão natural do negócio, porque sempre foi assim. O telefone tocava, saía a pizza.

No Move, a plateia era outra. Tinha dono de hamburgueria, de restaurante japonês, de doceria, de marmitaria. Tinha gente de supermercado, de farmácia, de pet shop. Tinha franqueado de rede grande sentado ao lado de empreendedor que abriu o primeiro negócio há seis meses. Todo o varejo estava ali. Todos tentando acompanhar as mudanças de hábitos do Senhor Cliente.

Aquela sequência de eventos me mostrou algo que os números sozinhos não mostram: as fronteiras do varejo estão desaparecendo.

Quando eu liderava o McDonald's, a operação era grande o suficiente para resolver a maioria dos problemas internamente. Tínhamos estrutura, tecnologia, Equipe dedicada. Mas a realidade do pequeno e médio empreendedor é outra. Muitas vezes, ele está sozinho na loja, sozinho na gestão, sozinho nas decisões. E muitas vezes sozinho nos erros.

O empreendedor que fica fechado dentro da própria operação, resolvendo problema atrás de problema, sem levantar a cabeça para ver o que está acontecendo ao redor, perde a chance de aprender com quem já passou pelo mesmo caminho, de conhecer ferramentas que resolveriam em minutos o que ele gasta horas fazendo, e de descobrir que o problema dele não é único.

Ao longo de mais de trinta anos no setor, vi isso acontecer muitas vezes. O empreendedor que vai a um evento, conversa com outros empreendedores, ouve uma ideia que nuna tinha considerado e volta para a operação com uma clareza que não tinha antes. É o que acontece quando você sai da sua bolha.

A história ainda guardava uma ironia. Alguns anos depois, em 2024, eu acabaria me tornando CEO justamente do grupo que controlava o Burger King no Brasil.

E essa troca não acontecia apenas entre empresas do mesmo setor. No IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), eu discutia com gente da Magalu, da Droga Raia. Negócios completamente diferentes do meu, mas enfrentando desafios muitas vezes parecidos.

No intervalo de um desses eventos, um empreendedor me procurou e disse: "Paulo, tenho um negócio há anos e nunca tinha saído da minha cozinha para ir a um evento. Vim porque meu filho insistiu. Já aprendi mais aqui em duas horas do que nos últimos dois anos sozinho."

Hoje existem muitas oportunidades para fazer isso. O iFood Move, a Fipan, eventos da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), congressos regionais, encontros de associações locais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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