‘Se Eu Fosse Você 3’ e a corrida das comédias nacionais pelo pódio do cinema
O modelo clássico do filme em que dois personagens trocam de corpos é um recurso antigo do cinema — e, geralmente, divertidíssimo.
Não à toa, em 2006, Se Eu Fosse Você , dirigido por Daniel Filho e estrelado por Gloria Pires e Tony Ramos, foi um sucesso estrondoso, tornando-se o filme mais visto nos cinemas brasileiros naquele ano.
Na trama, marido e mulher em pé de guerra são obrigados a se acertar quando, em um passe de mágica, despertam um no corpo do outro.
“Havia uma preocupação vigilante do Daniel Filho para que não esbarrássemos em uma caricatura”, disse Ramos em entrevista a VEJA.
“À época, a média da resposta foi: este não é só um filme para dar risada, mas para pensar e refletir sobre os papéis de gênero.” A continuação chegou às salas em 2009 e teve a melhor abertura de um título brasileiro desde 1995, quando foram retomados incentivos públicos ao setor.
No total, os dois filmes somam 9,8 milhões de espectadores — um feito difícil de igualar até os dias de hoje.
A chegada de um terceiro filme da saga aos cinemas nesta semana não surpreende: apostar em velhos sucessos costuma ser certeiro — apesar de o destaque se voltar para um novo casal, interpretado por Cleo Pires e Rafael Infante, na pele da filha e do genro do casal original.
A estreia coincide com outra sequência.
Também acaba de ser lançado Um Tio Quase Perfeito 3 , franquia um tanto mais modesta e de apelo familiar.
Ambos os títulos refletem um esforço do setor: mina de ouro da indústria, as comédias são historicamente o carro-chefe do cinema nacional.
O valor desse filão é ainda maior nestes tempos em que o setor ainda sofre para se recuperar de um grande baque.
ESTRELAS - Ingrid e Mônica: desventuras em viagens vertidas em filme Paris Filmes/.
Desde a pandemia, há uma dificuldade global de recuperação do público — queda que Hollywood só conseguiu superar neste ano, graças a superproduções de arrecadação bilionária.
No Brasil, esse anseio parece longe de se realizar.
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