Réu por rachadinha, vereador Lórens Nogueira é cassado pela Câmara de Curitiba
O plenário da Câmara de Curitiba cassou nesta quinta-feira (20) o vereador Lórens Nogueira (Progressistas) , que é réu na Justiça pela acusação de operar um esquema de “rachadinha” com o salário de servidores comissionados. Os vereadores aprovaram a perda do mandato , considerando que ele cometeu cinco infrações ao Código de Ética da Casa .
“Rachadinha” é o nome dado ao esquema em que políticos exigem parte dos salários dos assessores em troca de mantê-los nos cargos .
O resultado da votação foi anunciado pelo presidente da Câmara, Tico Kuzma (PSD), às 13h34 e a sessão especial, convocada para análise do relatório da Comissão Processante , que recomendou a cassação , foi encerrada. Para que a perda do mandato fosse aprovada, eram necessários os votos de dois terços dos vereadores, ou no mínimo 26 deles . O resultado foi obtido em todas as cinco infrações votadas.
Loréns Nogueira compareceu à sessão que votou sua cassação. O vereador foi acompanhado por seu advogado, Jefferson Vilela.
Em fala ao plenário em sua defesa, o parlamentar voltou a repetir que o pagamento flagrado em vídeo durante as investigações do caso era referente a um empréstimo , feito sem contrato ou recibo, “de amigo para amigo”.
Sobre o dinheiro vivo apreendido na operação policial que investiga o esquema, diz que sempre teve o hábito de guardar valores em espécie em casa , desde a época em que foi assessor parlamentar. Ele exibiu declarações do Imposto de Renda mostrando que informou os valores à Receita Federal.
A representação contra Lórens Nogueira foi apresentada pela bancada do Partido Novo na Câmara um dia depois de ser deflagrada a Operação Dejà Vu , do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ( Gaeco ), do Ministério Público do Paraná ( MP-PR ).
Na ação policial, foram realizados 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, incluindo o gabinete dele na Câmara de Vereadores . Além de documentos e telefones celulares, houve a apreensão de uma grande quantia de dinheiro vivo (veja vídeos e fotos ). A data da operação ( uma terça-feira ) foi escolhida, de acordo com o Gaeco, para permitir que a coleta do mês fosse feita após o recebimento do salário pelos servidores.
Somente na casa do vereador foram encontrados R$ 70.502 em uma mala no quarto , além de R$ 13.526 em um envelope dentro de uma mochila . Outros R$ 15 mil foram localizados com os sogros do parlamentar . Também houve apreensões de dinheiro no carro (R$ 2.500) e no endereço de uma das assessoras (R$ 8 mil).
De acordo com os promotores responsáveis pela Operação Dejà Vu , o esquema que seria operado pelo vereador renderia R$ 118 mil por mês , em parte de salários devolvidos por servidores comissionados , não só em seu gabinete, mas também pelos que foram indicados por ele a outros órgãos.
O MP-PR explicou que um dos pagamentos feitos por uma servidora comissionada do Governo do Paraná a Lórens Nogueira foi flagrado em vídeo, como parte de uma operação controlada feita pela investigação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.