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Estreia fraca da Shein expõe desgaste do modelo de fast-fashion

Folha de S.Paulo ·
Estreia fraca da Shein expõe desgaste do modelo de fast-fashion

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Quando a Shein se apresentou ao mundo, no auge de sua popularidade, há alguns anos, a empresa anunciava uma nova era para a moda —baseada em velocidade, tecnologia e um sistema sob demanda capaz de criar 4.700 novos modelos por dia.

Nas pequenas fábricas que formam a espinha dorsal das operações da Shein no centro manufatureiro de Guangdong, no sudeste da China , não há robôs humanoides, computadores quânticos ou tecnologia de ponta. Em vez disso, dezenas de trabalhadores cumprem jornadas de 10 a 14 horas —de uma maneira que, segundo alguns, remete à China de décadas atrás.

"Isso representa a tecnologia antiga, em oposição à nova tecnologia", disse Nirgunan Tiruchelvam, que lidera a divisão de consumo e internet da Aletheia Capital, uma consultoria de investimentos focada na Ásia. "A Shein teria atraído muito mais investidores em 2021. Mas o mundo mudou desde então, deixando para trás as grandes estreias de empresas de comércio eletrônico."

Na terça-feira (1), os investidores concordaram em grande medida. As ações da Shein chegaram a cair 10% antes de recuperar parte das perdas e fechar perto do preço da oferta, em uma estreia decepcionante para uma empresa que já foi avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões) e hoje vale cerca de um quarto desse valor.

A oferta ocorreu depois de uma onda de empresas chinesas de inteligência artificial abrirem capital em Hong Kong e Xangai e anos após a Shein ter tentado, sem sucesso, duas vezes realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) em Nova York e Londres, em meio à oposição de autoridades e ativistas por causa das condições de trabalho em suas instalações.

A queda na avaliação reflete as dúvidas de muitos investidores sobre a sustentabilidade do negócio da Shein — e sobre a capacidade da empresa de encontrar novas formas de crescer depois que Estados Unidos e Europa, dois de seus principais mercados, acabaram com isenções tarifárias para produtos baratos que ajudaram a impulsionar seu modelo de baixo custo.

A oferta da Shein ocorreu poucas semanas depois de as ações da Unitree Robotics e da CXMT —duas empresas que impulsionam o boom de investimentos em inteligência artificial na China— dispararem em suas estreias nas Bolsas de Xangai. As duas são exemplos clássicos do que o governo chinês chama de "novas forças produtivas de qualidade", expressão usada para descrever o plano do país de impulsionar o crescimento econômico e a inovação por meio de uma indústria de maior valor agregado.

Weiheng Chen, sócio sênior do escritório de advocacia Wilson Sonsini em Hong Kong e responsável pela área da Grande China, observou que investidores institucionais que receberam a oferta de ações da Shein antes da estreia compraram pouco mais de 20% dos papéis, ante cerca de 50% em ofertas públicas populares.

"É uma empresa de moda que não está tão na moda entre os investidores de hoje", disse Chen, que já atuou como consultor em diversas ofertas públicas de grande repercussão.

O desafio da Shein será recuperar o interesse da geração Z, grupo que impulsionou a ascensão da empresa durante a pandemia.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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