PIB ainda cresce, mas cada vez menos e pode estagnar no segundo semestre
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior. O resultado ficou acima das expectativas — expansão de 0,3% ou 0,4% —, mas revela uma freada forte na atividade econômica. O PIB (Produto Interno Bruto) avançou 1,9% em termos anuais, considerando o acumulado nos quatro últimos trimestres terminados no segundo de 2026.
O ritmo de crescimento caiu para menos da metade, na comparação com o primeiro trimestre. Mas não se deve confundir ritmo de crescimento com nível da produção de bens e serviços, expresso pelo PIB.
Apesar de registrar ritmo mais lento, a economia continuou crescendo no período de abril a junho. O volume de produção alcançado no segundo trimestre atingiu o maior nível da série histórica iniciada há 30 anos, em 1996. O PIB brasileiro, bem ou mal, vem crescendo ininterruptamente desde a recessão do segundo trimestre de 2020, quando a pandemia provocou um colapso abrupto e violento na atividade.
Mas esse crescimento se mostra cada vez mais frágil e sujeito a um ambiente econômico em que se disseminam forças restritivas. A queda no ritmo de crescimento, no segundo trimestre, decorreu, na avaliação do economista José Francisco de Lima Gonçalves, experiente especialista em análise de conjuntura econômica, do recuo no consumo das famílias e nos investimentos.
"Custo de capital e incertezas, além do modesto investimento do setor público, revelam simultaneamente queda da atividade corrente e restrição à alta da atividade futura" - - economista José Francisco de Lima Gonçalves.
É evidente a ação da política de juros do Banco Central no resultado do PIB, afetando negativamente o consumo das famílias e a retomada do investimento.
O endividamento e a inadimplência recordes, impulsionados, de um lado, pela oferta irresponsável de crédito e, de outro, pelos juros elevados, promoveram contração no consumo e restringiram o investimento, contribuindo para a redução do ritmo de crescimento da atividade.
Juros altos e por tempo prolongado também marcaram o desempenho da indústria no trimestre passado. O setor registrou pequeno crescimento, mas com base em avanço forte no segmento extrativo mineral — tradução: petróleo. A produção recuou na indústria de transformação e na construção civil.
Pouco exposto aos juros altos, por depender em boa parte de exportações, o setor agropecuário avançou 2,8% no trimestre. Mais afetado pela renda em circulação na economia, que continua em alta com o baixo desemprego no mercado de trabalho, o setor de serviços avançou 0,2% no período, metade do ritmo de expansão observado no primeiro trimestre.
Na análise do Bradesco, setores cíclicos — mais sensíveis à política de juros — cresceram 0,1% no segundo trimestre.
Com o resultado do segundo trimestre, as projeções apontam viés de redução para os dois trimestres restantes do ano. As previsões anteriores eram de expansão de 0,3% em cada um deles, mas a tendência é de redução para alta de 0,2%, em média, para os dois períodos, podendo ser ainda mais baixa.
Já há previsões de estabilidade nos dois trimestres restantes do ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.