Uma cidade assíria foi destruída por medos e babilônios, voltou a ser ocupada séculos depois e ainda guarda três zigurates, palácios e mais de mil sepultamentos
Ruínas às margens do Tigre preservam milhares de anos de arquitetura religiosa, poder imperial e ocupação parta
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Às margens do rio Tigre, no atual Iraque, uma cidade fundada no terceiro milênio a.C. tornou-se centro político, comercial e religioso de uma das maiores potências do Oriente Próximo antigo. A cidade de Ashur preserva cerca de 70 hectares de ruínas , incluindo templos, palácios, casas, três zigurates e uma enorme quantidade de sepultamentos posteriores, permitindo acompanhar milhares de anos de transformação urbana.
Ashur desenvolveu-se numa posição estratégica junto ao Tigre, na transição entre áreas dependentes de chuva e regiões onde a agricultura utilizava irrigação. Já no terceiro milênio a.C. existiam ali importantes edifícios religiosos, indicando que o assentamento possuía organização urbana antes da ascensão política dos assírios.
Entre os séculos XIV e IX a.C., Ashur tornou-se a primeira capital do Império Assírio. Mesmo depois que a corte passou para outras cidades, como Nimrud e Nínive, continuou sendo a principal capital religiosa, associada ao deus Ashur e às cerimônias de coroação e sepultamento dos reis.
O sítio reúne uma densidade excepcional de arquitetura pública e residencial. Entre os edifícios religiosos estavam três zigurates construídos principalmente com tijolos de barro, além de templos duplos e do grande santuário dedicado ao deus Ashur. O zigurate principal continua sendo um dos marcos mais visíveis das ruínas.
Palácios reais, muralhas, portões e bairros residenciais completavam o espaço urbano. Diferentes construções foram reconstruídas repetidamente ao longo dos séculos, permitindo aos arqueólogos observar como técnicas arquitetônicas e formas de organização da cidade mudaram desde períodos sumério e acádio até a época assíria.
Este vídeo da UNESCO apresenta Ashur e os principais vestígios arqueológicos preservados no sítio:
Em 614 a.C., durante o colapso do Império Neoassírio, Ashur foi atacada e destruída pelas forças dos medos, em campanha associada aos babilônios. Dois anos depois, Nínive também caiu, acelerando o desaparecimento do império que havia dominado grande parte do Oriente Próximo.
A destruição, porém, não encerrou definitivamente a história do lugar. Ocupações posteriores deixaram novos edifícios e materiais, e Ashur viveu uma importante revitalização durante o período parta, quando residências, um palácio e espaços religiosos voltaram a ocupar setores da antiga capital.
Arqueólogos documentaram mais de mil inumações em túmulos e sepulturas associados principalmente ao período parta. Muitos estavam localizados dentro de edifícios, fornecendo um conjunto excepcional para estudar práticas funerárias que pertencem a uma fase muito posterior ao apogeu assírio.
A UNESCO destaca também um palácio parta e um templo próximo ao zigurate como testemunhos dessa reocupação. Esses vestígios mostram que as ruínas assírias não permaneceram simplesmente abandonadas, mas foram incorporadas a novas formas de vida urbana.
A área inscrita como Patrimônio Mundial possui 70 hectares e é acompanhada por uma zona de proteção de 100 hectares.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.