Cidade de Goiás que viveu do amianto agora está no centro da corrida por terras raras
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Durante décadas, a remota cidade de Minaçu prosperou com sua mina de amianto , a última das Américas, até que a associação do material, antes considerado milagroso, levou a proibições e ao declínio da indústria por conta de doenças fatais.
Hoje, o município do interior brasileiro está no centro de uma corrida global pelos minerais de terras raras , essenciais para eletrônicos, energia limpa e tecnologias de defesa e que se tornaram um dos pontos de tensão na guerra comercial entre Estados Unidos e China .
Em meio a uma paisagem de montanhas e vales verdes, um grupo de mineração afirma ter no local a única operação fora da Ásia capaz de extrair em escala alguns dos tipos mais escassos desses metais, com apoio financeiro do governo americano.
Moradores acreditam que a atividade pode recuperar a economia da comunidade de 27 mil habitantes no estado de Goiás, região de cerrado tropical. Desde o início da produção comercial de terras raras no país , há cerca de dois anos, novos moradores voltaram a chegar, segundo o prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Leréia.
"É um ganho tremendo. O lugar estava a caminho de se tornar uma cidade fantasma", disse. "É como se você estivesse se afogando e, de repente, aparecesse uma corda —é preciso agarrá-la."
O sentimento reflete o otimismo mais amplo em relação ao potencial do Brasil de se tornar um importante participante de um setor estratégico. Embora sua produção ainda seja modesta, o país tem as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês).
As terras raras são um grupo de 17 elementos metálicos necessários , em pequenas quantidades, para diversas aplicações de alta tecnologia. Apesar de serem relativamente abundantes na crosta terrestre, sua extração e separação são difíceis.
Com controle sobre boa parte da mineração mundial de terras raras e um quase monopólio de seu processamento, Pequim restringiu as exportações no ano passado em retaliação às tarifas do presidente Donald Trump , intensificando a busca por novas fontes.
Essa procura levou os americanos a Minaçu, onde a proprietária da mina, a Serra Verde, está ampliando a produção. "O objetivo é ser uma alternativa no Ocidente para a produção de terras raras", disse Pedro Burnier, diretor de sustentabilidade da empresa, no complexo que recebeu mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em investimentos.
"O restante do mundo terá acesso às terras raras pesadas das quais, francamente, todos somos hoje dependentes demais da China", disse ao Financial Times a então diretora-presidente da USA Rare Earth, Barbara Humpton.
O projeto também obteve mais de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) em empréstimos da Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC na sigla em inglês), um banco público de fomento.
A mina se tornou uma peça central dos esforços dos EUA para romper a dependência em relação à China por causa da presença de dois dos elementos pesados de terras raras considerados mais críticos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.