Flávio Bolsonaro defendeu milicianos que espancaram juíza dentro de presídio no Rio
A recente denúncia apresentada pelo ex-deputado Marcelo Freixo, revelando a atuação direta de Flávio Bolsonaro na defesa jurídica para adiar o júri popular do policial militar Bruno Delaroli , acusado do assassinato com tiro de fuzil da pequena Ana Clara Machado, de 5 anos, em 2021, trouxe novamente ao centro do debate público o histórico de conivência e cumplicidade do clã com agentes do crime organizado.
A revelação funcionou como estopim para que a opinião pública resgatasse um rastro persistente de episódios em que o hoje pré-candidato à Presidência utilizou seu capital político para blindar e legitimar a violência cometida por grupos milicianos no Rio de Janeiro.
Entre os fatos mais chocantes que compõem essa trajetória de afronta ao Judiciário e à sociedade, destaca-se um episódio brutal ocorrido em 2015, no Batalhão Especial Prisional (BEP), na capital fluminense, quando uma magistrada no exercício de suas funções foi covardemente espancada por detentos milicianos sob o endosso público do então parlamentar da Alerj.
A taque no BEP e a inversão da culpa por Flávio Bolsonaro Em outubro de 2015, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio de Janeiro, realizava uma inspeção surpresa no Batalhão Especial Prisional, localizado em Benfica, Zona Norte carioca.
A visita tinha como objetivo apurar graves denúncias de que policiais militares custodiados, muitos deles integrantes de milícias e esquadrões da morte, desfrutavam de regalias ilegais, como celas especiais equipadas com aparelhos de ar-condicionado, eletrodomésticos, bebidas alcoólicas e livre circulação.
Ao constatar as irregularidades e tentar apreender materiais proibidos, a magistrada foi sumariamente cercada por um grupo de PMs amotinados.
Em uma cena estarrecedora de quebra da ordem constitucional, a juíza foi empurrada, agredida fisicamente, teve seus óculos quebrados e a blusa rasgada pelos detentos dentro da própria unidade prisional do Estado.
Enquanto entidades da magistratura, juristas e a sociedade civil reagiam com perplexidade ao ato de barbaridade, Flávio Bolsonaro usou a tribuna da Alerj e suas redes para reverter a narrativa, atacando a magistrada e justificando o crime cometido pelos custodiados.
Em vez de repudiar a agressão contra uma autoridade do Judiciário em pleno cumprimento do dever, o político acusou a juíza de ter “provocado” os milicianos.
“ A juíza se dirigiu de forma desrespeitosa a alguns policiais, chamando de vagabundos e milicianos. […] Acabou sendo expulsa lá de dentro por policiais que se revoltaram ” , declarou Flávio à época, naturalizando a surra levada pela juíza e tratando criminosos encarcerados, que ele chamou de “policiais”, como vítimas de uma suposta provocação.
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