Jurista sul-africana Navi Pillay ganha o Nobel da Paz
De acordo com a organização, o compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes em sua longa carreira. "Um fio condutor percorre desde seu trabalho inicial na defesa de Nelson Mandelae outros que se opuseram ao apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais casos de tribunais internacionais de nossa época", escreveu em seu site oficial.
"Sua distinta carreira nos lembra da necessidade de apoiar, fortalecer e expandir o Estado de Direito global. O compromisso de Navi Pillay com a justiça e a dignidade humana é uma fonte de esperança e inspiração para todos que buscam construir um mundo mais pacífico", menciona o comunicado oficial.
Pillay, de ascendência tâmil indiana, cresceu na cidade costeira de Durban, no leste do país, onde fundou seu próprio escritório de advocacia na década de 1960.
A sul-africana estudou na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em ciências jurídicas em 1988. Foi nomeada para a Alta Corte da África do Sul em 1995.
Navi Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, que concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israelrejeitou o relatório, classificando-o como "escandaloso".
"O Comitê Nobel Norueguês valoriza o papel de Navi Pillay como força motriz no desenvolvimento de um sistema internacional de direito e ordem, destacando também seu rigor jurídico, integridade pessoal e notável coragem", diz a declaração oficial.
"Em um momento em que o número de guerras e conflitos aumenta, e quando juízes e instituições de direito internacional sofrem ataques políticos, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional".
"Um sistema jurídico internacional no qual criminosos de guerra são responsabilizados e as vítimas de abusos veem a justiça ser feita é uma condição prévia para um mundo pacífico."
Especialistas afirmam que o comitê normalmente se concentra na durabilidade da paz, na promoção da fraternidade internacional e no trabalho silencioso de instituições que fortalecem esses objetivos.
O prêmio do ano passado foi concedido à oposicionista do governo do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, María Corina Machado. Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, Machado demonstrou que as ferramentas da democracia também são ferramentas da paz, acrescentando que a laureada personifica a esperança por um futuro diferente, no qual os direitos fundamentais dos cidadãos sejam protegidos e suas vozes sejam ouvidas.
Em 2024, o Nobel da Paz ficou com Nihon Hidankyo, um movimento popular de sobreviventes japoneses do bombardeio atômico que trabalham há décadas para manter o tabu em torno do uso de armas nucleares.
O Prêmio Nobel da Paz é o único dos prêmios Nobel anuais a ser concedido em Oslo, Noruega.
Desde a primeira cerimônia, em 1901, até 2024, a premiação havia sido entregue a 112 pessoas e 28 organizações.
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