De Sanders a Mamdani: socialistas ressurgem fortalecidos antes das eleições de meio de mandato nos EUA
Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, os democratas podem recuperar o controle do Congresso, devido, em grande parte, a candidatos progressistas e até mesmo socialistas. Um movimento em ascensão, que por muito tempo esteve adormecido pelo legado da Guerra Fria.
Desde a vitória de Zohran Mamdani na prefeitura de Nova York , em novembro de 2025, os socialistas norte-americanos parecem acreditar, mais do que nunca, em suas chances eleitorais. Haverá candidatos em mais de uma dezena de disputas por todo o país na próxima semana, algo raro nas últimas décadas.
Para entender melhor, é preciso voltar mais de um século na história norte-americana. Nos Estados Unidos, o socialismo é associado a uma figura de origem francesa: Eugène Debs. Filho de imigrantes, ele participou da fundação, em 1901, do Partido Socialista da América (PSA), pelo qual concorreu à presidência cinco vezes, sem conseguir ser eleito.
Apesar do insucesso eleitoral, naquela época, as ideias do partido inspiraram alguns presidentes, como Franklin Roosevelt, na elaboração do seu " New Deal ", política intervencionista durante seu governo para lutar contra os efeitos da Grande Depressão dos anos 1930, nos EUA.
Mas, com o macarthismo nas décadas de 1940 e 1950, os comunistas passaram a ser perseguidos, e os socialistas, por sua vez, foram forçados a se esconder. O PSA acabou sendo desmantelado na década de 1970, já no contexto da Guerra Fria , entre EUA e União Soviética, que durou até 1991.
Os termos "comunista" e "socialista" tornaram-se sinônimos de terror, sendo associados pelas autoridades norte-americanas aos soviéticos, adversários ideológicos dos norte-americanos durante este período.
Foi preciso esperar até 1982 para ver o movimento socialista renascer em sua forma moderna: o DSA, ou Democratic Socialists of America (Socialistas Democráticos da América, na tradução para o português).
Contudo, o DSA não constitui um partido político propriamente dito. Trata-se de uma organização, cujos membros se candidatam sob a legenda democrata. Frequentemente, são, na verdade, democratas apoiados pelo DSA por defenderem ideias semelhantes, como a cobertura universal de saúde e a tributação dos mais ricos e das grandes empresas.
Embora seja um dos principais expoentes do socialismo nos Estados Unidos, Bernie Sanders não faz parte oficialmente do DSA. Entretanto, o veterano da política norte-americana, conhecido por sua franqueza, contribuiu significativamente para dar um novo fôlego aos Democratic Socialists of America .
Candidato à presidência em 2016, ele apresentou o socialismo como um projeto positivo, conseguindo conquistar muitos jovens.
Antes da campanha presidencial de Sanders, o DSA contava com 6 mil membros. Hoje, dez anos depois, são cerca de 150 mil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.