Da eleição brasileira aos protestos contra Trump, falta de transparência da Meta preocupa especialistas
Reportagem Da eleição brasileira aos protestos contra Trump, falta de transparência da Meta preocupa especialistas Publicado em: 29/10/2026 - 18:37
Ouvir - 04:43 As suspeitas de interferência da Meta nas eleições presidenciais brasileiras provocaram reação no Congresso dos Estados Unidos e reacenderam o debate sobre a influência das grandes plataformas digitais nos processos eleitorais. Especialistas ouvidas pela RFI explicam as lacunas na legislação americana que dificultam investigações sobre essa prática.
Segundo duas especialistas americanas em integridade eleitoral, a falta de transparência sobre o funcionamento dos algoritmos impede determinar se as restrições enfrentadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram resultado de falhas técnicas ou de decisões deliberadas.
“Os algoritmos da Meta estão inteiramente sob o controle da própria empresa e têm um poder enorme sobre o que é visto e quem vê. Sem transparência sobre como esses algoritmos deveriam funcionar, o público não tem como saber o que realmente aconteceu”, afirma Laura Edelson, professora de Ciência da Computação da Universidade Northeastern, em Boston, e diretora do Cybersafety Research Center, centro de pesquisas especializado em transparência dos algoritmos, desinformação e integridade eleitoral.
Em 22 de outubro, o senador Bernie Sanders e 12 deputados democratas americanos, liderados por Pramila Jayapal, enviaram uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo esclarecimentos sobre o tratamento dado às duas campanhas.
Os parlamentares também solicitaram informações sobre eventuais contatos da empresa com o governo de Donald Trump a respeito das eleições brasileiras e defenderam uma auditoria independente dos sistemas da plataforma.
Para Laura Edelson, o problema vai além dos incidentes registrados na campanha brasileira. A pesquisadora afirma que a Meta vem reduzindo os investimentos nas equipes responsáveis por fiscalizar conteúdos e garantir a integridade das eleições, ao mesmo tempo em que transfere parte dessas tarefas para sistemas automatizados.
“Nos últimos dois anos, a Meta reduziu sistematicamente os recursos destinados aos sistemas de confiança e segurança e às equipes de integridade eleitoral”, diz Edelson.
A especialista considera que a substituição de funcionários por ferramentas de inteligência artificial pode aumentar a frequência de erros na aplicação das regras das plataformas.
“A maneira como estão respondendo a esse problema é praticamente a mais barata possível. Eles reduziram sistematicamente suas equipes de segurança, de modo que há cada vez menos pessoas trabalhando nesses problemas. Isso leva tanto à aplicação excessiva quanto à aplicação insuficiente das regras”, explica.
Edelson ressalta que não dispõe de informações suficientes para determinar se os problemas enfrentados por Lula também atingiram outros candidatos na mesma proporção.
Questionada sobre como distinguir uma falha algorítmica de uma interferência política deliberada, a pesquisadora foi categórica: “Esse é o problema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.