A Longa Marcha: uma jornada imortal
Por que um acontecimento da década de 1930 continua relevante para a liderança política da China nos dias de hoje? Em 22 de outubro, o presidente chinês Xi Jinping proferiu um importante discurso no qual prestou as mais elevadas homenagens a Mao Zedong , Zhou Enlai , Zhu De e outros veteranos revolucionários que conduziram o Exército Vermelho à vitória na Longa Marcha .
Uma marcha de 12.500 quilômetros através de pântanos, desertos, penhascos e montanhas de grande altitude, sob a perseguição de tropas inimigas, é um feito impressionante.
Mas o legado da Longa Marcha do Exército Vermelho dos Operários e Camponeses da China vai muito além disso: ela marca uma virada fundamental na história do país.
Atualizando a filosofia de governança da China Mais do que simplesmente marchar, o Exército Vermelho colocou em prática, no cotidiano da população, a Linha de Massas, um conceito fundamental da governança do Partido Comunista da China (PCCh), cuja base consiste em confiar nas massas, identificar suas reais necessidades e aprender com as experiências das pessoas comuns para formular políticas fundamentadas nessa realidade.
Uma vez elaboradas, essas políticas retornam às massas para serem implementadas sob a orientação do PCCh.
Essa abordagem pressupõe que os quadros do PCCh estejam profundamente inseridos na vida das pessoas comuns, não apenas fazendo promessas, mas também apresentando resultados concretos e respeitando os costumes locais.
E essa abordagem continua sendo praticada pelo PCCh nos dias de hoje.
Por exemplo, durante uma visita recente ao sul da província de Jiangxi, justamente a região onde a Longa Marcha teve início, conheci Luo Wen, secretário do Partido na aldeia de Baixi, onde aconteceu a primeira batalha da Longa Marcha.
Ele vive exatamente como os outros moradores da aldeia, botando a mão na massa, e conhece todas as famílias e cada pedaço de terra da região.
Após alguns anos aprendendo com a população local, ele foi capaz de me ensinar detalhes sobre o trabalho agrícola da aldeia, como os critérios para escolher onde plantar arroz, mandioca ou frutas.
Ele também se tornou habilidoso no uso de ferramentas agrícolas após passar dias sob o sol ajudando a população a transformar terras improdutivas em arrozais, e me guiou por trilhas rurais que somente os agricultores conhecem.
Esse perfil é comum entre os quadros do PCCh nas aldeias de toda a China: eles estão ali para servir ao povo e levam essa missão muito a sério.
Essa realidade cria um forte contraste com a política de gabinete praticada nos países ocidentais, onde as políticas são formuladas com base em planilhas, sem levar em conta a perspectiva da população.
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