Brasil tem casa, mas ainda busca segurança habitacional
Há uma imagem recorrente quando falamos de crise habitacional: a de quem não tem onde morar.
Ela é real, mas incompleta.
A insegurança habitacional começa muito antes de uma pessoa perder a casa.
Ela começa quando pagar o aluguel significa cortar a compra do supermercado.
Quando uma despesa inesperada pode colocar em risco a permanência de uma família em seu lar.
Quando o custo da moradia interfere na decisão de ter filhos.
Quando morar não significa necessariamente sentir-se seguro.
Uma pesquisa realizada pela Habitat for Humanity em 22 países, dentre eles o Brasil, ajuda a iluminar essa dimensão menos visível da crise.
Segundo esse estudo, 56% das pessoas entrevistadas no Brasil afirmam temer que um único imprevisto possa ameaçar sua capacidade de permanecer onde moram .
O percentual é superior à média dos 22 países pesquisados, de 48%.
Esse dado deveria mudar a maneira como pensamos a moradia.
Porque uma casa pode ter paredes, teto e endereço e, ainda assim, não oferecer segurança habitacional.
A pesquisa mostra que 74% dos brasileiros entrevistados reduziram algum gasto no último ano para conseguir arcar com os custos da moradia .
Entre os que não têm uma moradia própria, 48% afirmam ter reduzido gastos com alimentos e supermercado.
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