Leite se entrega e é preso após operação que mira PCC e empresas de ônibus
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde de hoje em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
O ex-vereador é um dos alvos de ação contra a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital. Desde a deflagração da operação, Leite disse que iria se entregar, e se declarou inocente.
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo teve sua prisão temporária decretada pela polícia por uma suposta ligação profunda entre ele e o PCC. Além dele, outras 15 pessoas foram alvos de mandados de prisão pela Polícia Civil hoje na operação Vectura Corrupta.
Para a polícia, há fortes indícios de envolvimento direto do ex-vereador com o esquema de infiltração no transporte público do PCC. Ele seria responsável pelas operações de empresas de ônibus controladas pela facção.
O UOL já havia revelado, em 2024, relações entre Leite e a Transwolff. Uma empresa da família do então vereador alugava um terreno para a concessionária. Advogado e contador ligados ao político também prestaram serviços à companhia durante a licitação do transporte público.
Leite nega ser proprietário da Transwolff e qualquer envolvimento com o PCC. Ele afirmou que sua interlocução com a SPTrans ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas, durante uma greve em 2019.
Em um dos diálogos, um homem apontado como integrante da organização menciona o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele diz para outro suposto membro da facção que havia falado para um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário "envolver o Milton Leite para resolver a questão".
Noutro trecho, o homem fala em extrema preocupação em dar ciência à Milton Leite dos fatos envolvendo a UpBus. Milton é apontado pelo MP-SP como o possível articulador político das decisões estratégicas sobre o setor de transporte público de São Paulo — inclusive as empresas investigadas. Para os investigadores, a conversa pode estar relacionada à substituição da UPBus por outra empresa.
A polícia também narrou que declarações de policiais militares corroboram que Leite seria dono da empresa Transwolff, que está no centro da investigação. A empresa em questão seria uma das 12 controladas pelo PCC em São Paulo. UOL revelou em 2024 elo de Milton Leite com a Transwolff .
Com a análise desses dispositivos que foram aprendidos ao longo de 2024, 2025, hoje nós identificamos aí uma possível infiltração, se é que a gente pode dizer assim, do crime organizado em empresas de transporte público. Nós identificamos aí 12 empresas de transporte que teriam em movimento direto com o primeiro comando da capital, que seriam controladas direto ou indiretamente por essa organização criminosa. Fabricio Intelizano, delegado
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