Trabalhadores da Boeing rejeitam proposta e abrem caminho para greve
Após rejeitarem por ampla maioria, na sexta-feira (21), a proposta de contrato de quatro anos apresentada pela Boeing, o sindicato que representa engenheiros e trabalhadores técnicos da fabricante de aviões localizada em Seattle lançou uma pesquisa para que os funcionários apontem o que seria necessário para aceitar uma nova proposição.
"Ouvimos de milhares de membros da SPEEA (Sociedade de Empregados Profissionais de Engenharia do Setor Aeroespacial) que a profunda desconfiança em relação aos líderes da Boeing continua. A origem dessa desconfiança está enraizada em experiências individuais, nas quais testemunhamos eventos comuns", diz a entidade sindical em nota.
Os eventos que respaldam a desconfiança incluem deterioração de empregos representados pelo sindicato, transferidos para outros estados dos EUA ou terceirizados no exterior; a priorização de prazos em detrimento de qualidade e segurança; decisões de engenharia técnica anuladas ou ignoradas, e, por fim, salários que não acompanham a inflação e o mercado de trabalho do setor aeroespacial.
"Nós nos importamos de verdade durante todos esses anos, e nossos esforços, particularmente nos dois últimos contratos, não foram reconhecidos, valorizados nem recompensados", afirma o sindicato.
A proposta da Boeing incluía, além de um contrato de trabalho com duração de quatro anos, aumentos salariais vinculados à inflação — limitados a 3% — e ao desempenho individual, além de outras métricas não especificadas determinadas pela empresa.
Os 17 mil integrantes da SPEEA também votaram para dar à equipe de negociação o poder de convocar uma greve quando o contrato expirar, em 6 de outubro, informou o sindicato.
Uma paralisação atrasaria ainda mais as campanhas de certificação da Boeing para os aviões 737 Max 10 e 777-9, ambos com atraso de vários anos em relação ao cronograma.
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