A masturbação interfere na testosterona?
O NoFap é um movimento que defende o abandono da prática da masturbação e do consumo de pornografia .
Os motivos podem ser religiosos e morais, mas, em muitos casos, se baseiam na ideia de que a masturbação diminui o nível de testosterona no organismo do homem.
Essa concepção se originou em um estudo chinês de 2003, que constatou que homens que se abstêm de se masturbar por sete dias apresentam um aumento de 145,7% nos níveis de testosterona.
O estudo, no entanto, tinha uma amostra pequena: apenas 28 homens.
Além disso, não era controlado, não houve acompanhamento a longo prazo e os resultados também não se confirmaram em pesquisas posteriores.
Dezoito anos depois, em 2021, a revista que publicou o tal estudo se retratou e retirou formalmente a credibilidade científica do artigo.
“Quando fazemos uma análise dos níveis de testosterona a longo prazo, não há evidência científica de que a masturbação ou a frequência da atividade sexual impactem esses níveis.
O que sabemos é que, durante a atividade sexual e no momento do orgasmo, o homem pode apresentar uma elevação muito sutil e aguda da testosterona e de outros hormônios, mas isso se reverte com o tempo e não é algo duradouro que altere os níveis a longo prazo”, explica Pedro Barros, médico urologista e andrologista.
Por que continuam reforçando essa ideia? Para o especialista, a crença de que a masturbação diminui os níveis de testosterona se deve a questões culturais .
No século 18, algumas linhas de pensamentos defendiam que se o homem evitasse a prática, ele conservaria a sua “energia vital”, o que se provou falso.
Cada homem possui níveis individuais de testosterona e é normal ter picos desse hormônio em determinadas horas do dia, inclusive durante o sexo e a masturbação.
Esse aumento decai logo em seguida e o corpo, em poucos minutos, já recupera seus níveis normais.
A rotina de treinos na academia, por exemplo, não sofre nenhum prejuízo por causa da masturbação.
Recentemente, a busca estética pelo corpo ideal intensificou a procura por reposição hormonal, na maioria das vezes sem indicação médica adequada.
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