Livro mostra como o samba também nasceu no Nordeste
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Historiador e compositor, é professor da Unicamp e ex-diretor da Funarte (Fundação Nacional de Artes)
[RESUMO] Projeto de amplo escopo, que abarca do período colonial à Primeira República, "Um Inventário de Violas, das Cantorias e dos Sambas Nortistas (de 1800 a 1930)" propõe uma releitura da história da música brasileira. A obra desloca o foco habitual do Sudeste para a perspectiva dos estados nordestinos, chamados de nortistas no século 19. Com vasta gama de documentação histórica (leis, cartas, relatos de estrangeiros, reportagens), livro expõe o complexo caldo cultural que formou a sonoridade do país.
Em 26 de maio de 1838 , O Carapuceiro, periódico pernambucano , publicou um artigo sobre as "antipathias e sympathias" de senhoras grávidas.
Nele encontramos o seguinte trecho: "Quem há hi, que ignore as extravagantes antypathias de muitas senhoras, quando se achão gravidas? Huma toma aversão à carne, outra ao peixe: huma deixa puding para comer grude de côco; outra despreza pasteis de nata, e vai fartar-se em textos de quartinha: huma enoja de gerubeba, que amarga, como fel; outra não pode ouvir hum concerto de flauta, e violão, e deleita-se de escutar hum birimbau, ou huma marimba de negro [...]".
Na sociedade escravista do Brasil do início do século 19 , só mesmo as senhoras (ou sinhás) brancas podiam ter direito a extravagâncias durante a gravidez.
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