Vitória de Lula é 'divisor de águas' para América Latina e recado das urnas extrapola partidarismos
RFI Convida Vitória de Lula é 'divisor de águas' para América Latina e recado das urnas extrapola partidarismos Publicado em: 26/10/2026 - 15:53
Ouvir - 05:29 A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva pode representar um divisor de águas para a América Latina, avalia o cientista político Gaspard Estrada, da London School of Economics. Em entrevista à RFI , ele destaca a mobilização espontânea da sociedade em defesa da democracia, mas alerta para um Congresso conservador, pressões econômicas e desafios na relação com os Estados Unidos. Segundo ele, o resultado estimula forças progressistas no exterior, embora não permita uma tradução eleitoral automática.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva representa, na avaliação do cientista político Gaspard Estrada, um momento de inflexão para o continente, em um cenário marcado pelo avanço de forças conservadoras e de extrema direita. Especialista em América Latina e integrante da unidade Sul Global da London School of Economics, ele considera que o resultado brasileiro ultrapassa a disputa eleitoral e recoloca no centro do debate a defesa do multilateralismo, dos direitos humanos e da agenda ambiental.
“Em primeiro lugar, essa vitória do presidente Lula vai ser realmente um divisor de águas para a América Latina e a América do Sul, que estava com uma tendência para a direita ou até extrema direita, dependendo dos países, e é evidente que ter um governo brasileiro que é membro do G20, que é um dos principais países, principais economias mundiais, muito vinculado à defesa do multilateralismo, dos direitos humanos, da agenda ambiental, e isso vai ter um peso muito importante no quadro internacional”, avalia.
Para Estrada, a mobilização da sociedade brasileira durante o segundo turno constitui um dos principais elementos para compreender o resultado. O cientista político ressalta que a participação nas ruas e nas redes sociais não se limitou à estrutura partidária ou à atuação da campanha de Lula , mas expressou uma disposição de setores da sociedade de impedir o retorno da extrema direita ao poder.
“É evidente que é difícil de poder fazer uma tradução eleitoral do que aconteceu no Brasil e em outros países, em particular da Europa. Mas é claro que isso é um incentivo e essa eleição dá um discurso para lideranças políticas progressistas de apelar aos cidadãos e, sobretudo, para que a sociedade civil se organize", analisa. "Eu acho que a lição fundamental desse segundo turno é que muitas das mobilizações nas ruas e nas redes em favor do presidente Lula foram movimentos espontâneos, orgânicos, que não dependiam da própria campanha, mas sim de uma vontade genuína da sociedade de evitar a volta da extrema-direita ao poder", reitera Estrada.
A mobilização digital também teve papel importante na reta final da campanha. Estrada destaca a atuação do deputado André Janones, responsável por uma iniciativa de comunicação que ampliou a circulação de informações favoráveis à candidatura petista. Para o entrevistado, a experiência evidenciou uma mudança na capacidade de articulação política da esquerda brasileira.
A vitória eleitoral, contudo, não elimina os obstáculos que Lula terá de enfrentar para governar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.