Dólar hoje salta mais de 8% e vai a R$ 5,43 após vitória de Lula
O dólar comercial abriu as negociações desta segunda-feira (26) em forte alta de 8,65%, cotado a R$ 5,4248, reagindo de forma imediata à confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Palácio do Planalto no segundo turno disputado no domingo (25).
A vitória do petista contrariou o cenário base traçado pela maior parte do mercado, que vinha precificando a liderança de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), ante 48,21% (59.826.041 votos) do candidato do PL.
Por que a virada de Lula pegou o mercado de surpresa? Na semana que antecedeu o pleito, a divisa norte-americana acumulava trajetória de desvalorização sustentada pela aposta majoritária na vitória da oposição.
Na visão da maior parte do mercado financeiro, um governo de Flávio estaria mais alinhado à contenção do ritmo da dívida pública, a uma disciplina fiscal mais rígida e ao alívio nas curvas de juros e projeções de inflação.
Entretanto, o desfecho das urnas foi outro.
Na avaliação de Felipe Balassiano, chefe de multimercados do ASA, o resultado entrega a maior surpresa desta eleição.
"O mercado não estava posicionado para este desfecho", diz.
Para ele, o dia será de ajuste severo de preços na abertura tanto com queda na bolsa, alta do dólar e abertura das curvas de juros até que o novo governo e reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, acrescenta que a forte alta deve acontecer diante da saída de posições em ativos brasileiros e da busca por proteção e que uma depreciação mais intensa do real poderá pressionar os preços de bens comercializáveis e combustíveis, dificultando a convergência da inflação à meta.
"Diante de movimentos desordenados, o Banco Central poderá avaliar medidas para assegurar o funcionamento adequado do mercado de câmbio", conclui.
Agora, o mercado busca sinalizações concretas sobre o plano fiscal de Lula para o quarto mandato e as negociações do governo com um Congresso de maioria centro-direita, que pode impor freios à governabilidade do petista.
O que mostravam as últimas pesquisas para o segundo turno A surpresa nos preços de abertura decorre também do descolamento entre as sondagens da reta final e a apuração oficial.
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