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Nobel condenado por pedofilia escreveu em diário que, 'sem protetores, jamais teria conseguido', diz New Yorker

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Nobel condenado por pedofilia escreveu em diário que, 'sem protetores, jamais teria conseguido', diz New Yorker

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"Levei minha pederastia [pedofilia] de toda a vida para a carreira médica e fui bem-sucedido em ambas, com pouquíssimos fracassos", escreveu o pediatra e virologista ganhador do prêmio Nobel Daniel Carleton Gajdusek, poucas semanas antes de morrer, em 2008, aos 85 anos, segundo a revista The New Yorker . "Sem protetores, eu jamais teria conseguido."

A revista americana publicou, no último domingo (17), uma reportagem que detalha, com base em diários atribuídos ao médico, atos que Gajdusek teria cometido durante décadas contra crianças de locais isolados e que teriam sido levadas por ele aos Estados Unidos . Também descreve como a complacência da academia permitiu que a situação perdurasse.

A reportagem mostra ainda como o contato com o médico afetou a vida dos jovens que ele teria levado para os EUA. Diversos deles relatam problemas pessoais —inclusive enquanto morariam com o pediatra, condenado por pedofilia em 1997 a um ano e meio de prisão— e, alguns casos, ainda tentam se encontrar na vida de volta a seus países.

No caso de 1997, o ganhador do Nobel de Medicina se declarou culpado do abuso sexual de um garoto que vivia na casa dele, no estado americano de Maryland. O promotor do caso, Scott Rolle, afirmou à revista que o resto do caso caiu "quando as possíveis vítimas foram escondidas e desapareceram de volta no Pacífico Ocidental".

Gajdusek cumpriu pena de um ano, após um acordo judicial, e, segundo a reportagem, demonstrava ter gostado do tempo na prisão. O texto da New Yorker não cita manifestações da família ou defesa do médico.

Ele era um respeitado pesquisador do NIH (National Institutes of Health), dos EUA, e não foi demitido após a condenação. Durante o tempo em que esteve preso, continuou publicando estudos.

As crianças que ele levaria aos EUA, de forma geral, seriam de locais isolados, onde conduzia pesquisas. Um desses trabalhos, envolvendo uma doença chamada kuru , rendeu-lhe o Nobel.

Outras figuras relevantes do meio científico intervieram em favor de Gajdusek, já após sua condenação. No dia em que foi solto, por exemplo, recebeu na prisão o neurologista Oliver Sacks .

Ao ser libertado, Gajdusek foi para Paris, onde o Institut de Neurobiologie Alfred Fessard havia designado um escritório para ele.

A reportagem conta um pouco da história de Michael —nome fictício—, que teria sido levado, aos 14 anos, por Gajdusek de Pohnpei, uma ilha da Micronésia, para os EUA.

Michael aceitou gravar uma conversa com Gajdusek para uma investigação do FBI, em 1996. O homem, naquela época já maior de idade, falou ao médico que o FBI estava tentando interrogá-lo. Ainda segundo Michael, Gajdusek respondeu que ele deveria dizer que nunca havia sido abusado sexualmente.

Em outro trecho da reportagem, há menção a partes do diário atribuído a Gajdusek em que ele descreve dormir nu na mesma cama com as crianças que levaria aos EUA, especialmente os garotos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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