Vírus letal reduz em 83% população de pererecas em reserva da Mata Atlântica
Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes
Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes
O estudo, publicado ontem (20/08) na revista Biodiversity and Conservation , fornece a primeira evidência robusta de que o ranavírus é capaz de causar o colapso de populações silvestres sul-americanas, um risco de extinção já documentado na Europa. Os dados revelam ainda que essa ameaça se torna mais grave em períodos secos, com a baixa umidade do ar favorecendo os surtos da doença.
Nos girinos, a infecção avança de forma rápida e devastadora, causando a destruição e a necrose de tecidos em órgãos vitais, como o fígado. Os sinais clínicos visíveis a olho nu incluem inchaço abdominal (edema), vermelhidão extrema, úlceras e múltiplas hemorragias, que podem ocorrer inclusive dentro dos olhos dos animais.
“Apesar de várias mortes suspeitas documentadas no continente americano, é a primeira vez que se comprova a ranavirose, por meio de análises dos tecidos [histológicas] dos fígados dos animais e [da análise] dos vírus isolados deles, como causa das mortes em uma espécie nativa”, conta Aline Fonseca, que realizou o trabalho como parte de seu doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O primeiro evento de mortandade na lagoa ocorreu em janeiro de 2024, seguido por dois outros, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 e entre novembro de 2025 e março de 2026. No total, foram encontrados 324 girinos mortos, sendo 315 de perereca-macaco e nove da perereca-de-pijama Boana bischoffi .
Entre as pererecas-macaco, 279 (88,6%) testaram positivo para o ranavírus, enquanto as pererecas-de-pijama infectadas foram oito (88,9%). A carga viral das pererecas-macaco foi considerada alta, com quase 10 bilhões de cópias do vírus por microlitro de amostra, enquanto nas pererecas-de-pijama esse valor foi de cerca de 2 bilhões. O número de pererecas-de-pijama mortas, no entanto, foi considerado pequeno para caracterizar uma mortandade em massa.
Para comprovar os sinais clínicos da doença, 13 girinos tiveram os fígados analisados por histologia, técnica que verifica danos aos tecidos e às células usando um microscópio. As lesões encontradas confirmaram o quadro severo da infecção.
As mortes ocorreram na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Rã-Bugio , no município de Guaramirim, em Santa Catarina.
O estudo integra o projeto “ Da história natural à conservação dos anfíbios brasileiros ”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Luís Felipe Toledo , professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.