Estudo define indicadores para orientar a restauração de campos úmidos no Cerrado
Trabalho de pesquisadores da Unicamp e do Instituto de Pesquisas Ambientais vincula o sucesso da recuperação dessas áreas abertas ao restabelecimento do lençol freático e alerta que o plantio de árvores prejudica o ecossistema
Trabalho de pesquisadores da Unicamp e do Instituto de Pesquisas Ambientais vincula o sucesso da recuperação dessas áreas abertas ao restabelecimento do lençol freático e alerta que o plantio de árvores prejudica o ecossistema
Karla Morato | Agência FAPESP * – Os campos úmidos do Cerrado estão desaparecendo rapidamente e sua recuperação esbarra em um erro prático e histórico: a tentativa de aplicar lógicas de reflorestamento – como o plantio de árvores – que acabam descaracterizando e destruindo ecossistemas que são naturalmente abertos.
Para corrigir essas intervenções inadequadas, um novo estudo publicado em junho na revista Restoration Ecology estabeleceu, pela primeira vez, indicadores ecológicos simples e valores de referência para medir o sucesso da restauração dessas áreas. A pesquisa demonstrou que métricas visuais e rápidas – como a contagem de espécies por metro quadrado (m 2 ) e a porcentagem da cobertura total de gramíneas – são altamente eficazes para diagnosticar a integridade da área e guiar o manejo, substituindo a necessidade de avaliações botânicas exaustivas.
Mas o que exatamente define esses ambientes? Os campos úmidos, que englobam formações como as veredas, são ecossistemas desprovidos de florestas, caracterizados por uma densa vegetação herbácea que cresce sobre solos mal drenados ou sazonalmente encharcados. Segundo o estudo apoiado pela FAPESP e conduzido por Andra Dalbeto , doutoranda na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a dinâmica dessas áreas – que abrigam uma biodiversidade única e sustentam serviços como a manutenção dos ciclos hidrológicos – é rigorosamente controlada pelas oscilações do lençol freático. Por isso, o artigo traz uma conclusão categórica: como a água subterrânea é o motor primário dos campos úmidos, qualquer projeto de restauração biológica estará fadado ao fracasso se não garantir, em paralelo, a recuperação das condições hidrológicas originais do local.
“Campos úmidos são ecossistemas naturalmente abertos e seu principal serviço ecossistêmico está ligado à água: eles regulam o fluxo hídrico, armazenam água no solo, mantêm a umidade da paisagem e sustentam processos ecológicos associados ao lençol freático”, explica Dalbeto.
A investigação se insere nos esforços do projeto BIOTA Campos , coordenado pela pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) Giselda Durigan e apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA .
“Quando se aplica o plantio de árvores em campos úmidos, usando a lógica válida para a restauração florestal, o impacto é profundo porque altera a disponibilidade de luz, a estrutura da vegetação, a dinâmica do solo e o uso da água pelas plantas. Em vez de restaurar, a intervenção pode descaracterizar o ecossistema”, comenta Dalbeto.
Até então, faltavam valores de referência bem definidos para diagnosticar a integridade de uma área ou atestar o real sucesso de uma intervenção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.