Ações do Google caem 9% após gasto de US$ 51 bilhões com IA ampliar queima de caixa
San Francisco (EUA) | Financial Times O Google sofreu uma forte queda na bolsa após elevar seus gastos com inteligência artificial para mais de US$ 50 bilhões ( R$ 267,1 bilhões) no terceiro trimestre, provocando uma queima recorde de caixa. O resultado assustou investidores, em meio a receitas e lucros abaixo das expectativas.
O fluxo de caixa livre da gigante das buscas ficou ainda mais negativo nos três meses encerrados em setembro, com saldo de menos US$ 9,1 bilhões (R$ 48,7 bilhões), ante menos US$ 5,9 bilhões (R$ 31,5 bilhões) no período anterior, informou nesta quarta-feira (28) a Alphabet, controladora do Google.
A queima de caixa foi muito maior do que Wall Street previa e marcou apenas o segundo trimestre de fluxo de caixa negativo desde que a empresa abriu seu capital, em 2004. As ações caíram mais de 8% nas negociações após o fechamento do mercado.
Se a queda se mantiver, o recuo no preço dos papéis eliminará mais de US$ 350 bilhões (R$ 1,87 trilhão) do valor de mercado do Google, a maior perda em um único dia na história da empresa.
A mudança para um cenário de queima de caixa foi provocada por investimentos de capital recordes em inteligência artificial, enquanto o Google aposta todas as fichas no potencial da tecnologia emergente.
Os investimentos de capital chegaram a US$ 51,3 bilhões (R$ 274,1 bilhões) no trimestre, ante US$ 44,9 bilhões (R$ 240,2 bilhões) no segundo trimestre. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, afirmou anteriormente que os gastos podem alcançar US$ 205 bilhões (R$ 1,1 trilhão)neste ano, o que implicaria desembolsos de até US$ 73,1 bilhões (R$ 390,5 bilhões) no quarto trimestre.
A receita total do grupo aumentou 25% no trimestre, para US$ 127,6 bilhões (R$ 681,4 bilhões), também ligeiramente abaixo da média das projeções de analistas compiladas pela FactSet.
O lucro líquido caiu para US$ 26,2 bilhões (R$ 140 bilhões) em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo dos US$ 37,3 bilhões (R$ 199,3 bilhões) esperados pelos analistas.
O resultado foi afetado por mudanças no valor dos investimentos do Google, que incluem uma participação na SpaceX . A empresa de foguetes de Elon Musk recuou cerca de 4% no período , contribuindo para uma perda líquida de US$ 8,7 bilhões (R$ 46,5 bilhões) do Google em investimentos em participações acionárias.
O lucro operacional, que não inclui perdas com investimentos, aumentou 30%, para US$ 40,6 bilhões (R$ 217 bilhões), mas também ficou abaixo dos US$ 43,2 bilhões (R$ 230,9 bilhões) esperados por Wall Street.
Na contramão do desempenho fraco nas buscas, o negócio de computação em nuvem do Google voltou a se destacar.
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