Coalizão americana contra cartéis avança sem Brasil e México
Coalizão americana contra cartéis avança sem Brasil e México - Com entrada da Colômbia, aliança impulsionada pelos EUA reúne agora 19 países. México e Brasil seguem fora. Especialistas questionam eficácia de bloco sem atores centrais do narcotráfico regional.A proposta é ambiciosa: coordenar forças de segurança, inteligência e operações para enfrentar os grandes cartéis do narcotráfico. Com esse objetivo, os Estados Unidos impulsionam uma nova aliança regional, a Coalizão contra os Cartéis das Américas (A3C, na sigla em inglês), que realizou nesta semana uma reunião no Panamá.
Na ocasião, foi anunciada a entrada da Colômbia no grupo. Apoiador do presidente dos EUA, Donald Trump, o recém-empossado presidente colombiano Abelardo de la Espriella autorizou operações militares conjuntas com o objetivo de desmantelar redes terroristas, disse o secretário de Defesa americano Pete Hegseth na ocasião.
Agora, a Coalizão reúne 19 países: Estados Unidos, Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Duas das maiores potências da região, porém, seguem fora da iniciativa: México e Brasil.
A criação da Coalizão e as estratégias de Trump para a segurança da região se tornaram um dos pontos centrais dos atritos da Casa Branca com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Washington classificou grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, rótulo rejeitado pelo Planalto, que vê no movimento uma tentativa de maior intervenção nos assuntos domésticos. Na quarta-feira (12/08), Hegseth indicou que os EUA planejam ataques por terra contra criminosos na América Latina.
"Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às organizações designadas como terroristas em terra", afirmou. "Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como a Al-Qaeda."
Para o peruano Pedro Yaranga, professor de ciência política e especialista em segurança, o desafio é transformar acordos diplomáticos em operações conjuntas de real impacto.
Segundo ele, a coalizão precisará avançar na criação de bases de dados compartilhadas e centros de inteligência capazes de trocar informações em tempo real e rastrear fluxos financeiros, criptomoedas e cadeias logísticas ligadas aos cartéis. A iniciativa, avalia, está diante de uma escolha decisiva: tornar-se um marco de integração operacional ou limitar-se a um fórum de declarações políticas.
Na prática, porém, a implementação desses objetivos enfrenta obstáculos relevantes. Yaranga lembra que os países participantes apresentam diferentes níveis de compromisso político, estabilidade institucional e disponibilidade de recursos.
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