Crise entre Milei e Lula ofusca apoio a Flávio Bolsonaro nas redes, diz pesquisa
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Mônica Bergamo
O apoio de Javier Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro ( PL -RJ) perdeu espaço na conversa digital e deu lugar à crise entre o presidente argentino e Lula (PT). É o que mostra levantamento da Datrix Digital, que analisou 3.990 publicações nas redes sociais feitas pela imprensa, por influenciadores e políticos entre 18 de julho e 11 de agosto.
Na última semana analisada, de 5 a 11 de agosto, Lula apareceu 2,5 vezes mais do que Flávio nas publicações que mencionavam Milei e um dos dois políticos. Também teve quase quatro vezes mais impressões e 4,5 vezes mais interações. Impressões são uma estimativa de quantas vezes essas publicações foram exibidas ou alcançaram usuários.
A convenção do PL em que o presidente argentino formalizou o apoio ao filho de Jair Bolsonaro (PL) ocorreu em 25 de julho.
Em período analisado pela Datrix anterior a data, entre 18 e 24 de julho, Flávio tinha vantagem no indicador de impressões: Lula registrava 0,29 impressão para cada uma de Flávio. Já de 5 a 11 de agosto, a relação se inverteu, e o petista passou a ter 3,98 vezes mais impressões que o bolsonarista.
A partir da convenção, a discussão sobre o apoio passou a dividir espaço com a crise diplomática.
O maior volume de publicações sobre Milei ocorreu em 27 de julho, dois dias depois do evento do PL, quando a repercussão se concentrou na crise entre os governos brasileiro e argentino, incluindo a convocação do embaixador brasileiro e a resposta de Lula aos ataques de Milei.
A mudança de foco veio acompanhada de uma piora no sentimento associado a Flávio. A Datrix calcula esse indicador a partir da proporção de menções positivas e negativas nas publicações analisadas. Entre 18 e 24 de julho, Flávio tinha saldo líquido de +12,1 pontos. Na última semana, de 5 a 11 de agosto, passou para -17,2 pontos.
Lula fez o caminho contrário. Seu pior resultado ocorreu entre 29 de julho e 4 de agosto, quando o saldo entre menções positivas e negativas chegou a -37,4 pontos. Na semana seguinte, o indicador subiu para -6,1, uma recuperação de 31,3 pontos.
Segundo a análise feita pela Datrix, o apoio de Milei inicialmente funcionou como uma espécie de validação internacional da candidatura de Flávio. Com o avanço da crise diplomática, porém, ganharam espaço duas narrativas negativas: a de que a crise estava ofuscando a candidatura do senador bolsonarista e a de que a associação com Milei poderia ter efeito contrário nas eleições .
Essa segunda narrativa ganhou força em agosto. Entre 5 e 11 de agosto, ela representou 17,6% das publicações sobre Flávio que também mencionavam Milei. Somada à narrativa de que a crise diplomática ofuscava sua candidatura, chegou a 37,7% da conversa, acima dos 32,8% das menções positivas ao endosso internacional de Milei.
A Datrix relaciona essa mudança à circulação de duas pesquisas. Uma, da Genial/Quaest, que mostrou que o apoio de Milei a Flávio elevava para 34% a chance declarada de voto em Lula , contra 27% em Flávio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.