Nem a recuperação judicial livra Habib’s do sufoco de caixa
A recuperação judicial pode ter dado algum fôlego ao Habib’s, mas está longe de resolver o problema mais urgente do grupo: a falta de liquidez.
Ao autorizar o processamento da recuperação do Grupo Gennius, dono também das marcas Ragazzo e Tendal, a Justiça de São Paulo negou justamente um dos principais pedidos feitos pela companhia para tentar recompor seu caixa.
O grupo queria a chamada “quebra das travas bancárias”, que permitiria liberar recebíveis e investimentos dados como garantia a instituições financeiras.
Na ação, o próprio Gennius sustentou que esses recursos seriam necessários para pagar funcionários, fornecedores e outras despesas correntes.
O argumento foi direto: sem caixa, a operação corre risco mesmo sob proteção judicial.
O juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, rejeitou o pedido.
Segundo a decisão, recebíveis cedidos fiduciariamente não estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial.
Na prática, portanto, os bancos que possuem esse tipo de garantia continuam fora do alcance de uma das principais proteções obtidas pelo grupo.
O ponto torna a recuperação do Habib’s particularmente delicada.
O Gennius informou um passivo de 265,2 milhões de reais sujeito ao processo, mas afirma na própria petição possuir dívida bancária superior a 300 milhões de reais.
A diferença pode estar justamente em obrigações e garantias que não entram integralmente na recuperação — e sobre as quais o grupo terá de continuar negociando diretamente.
Continua após a publicidade A situação cria um paradoxo.
A Justiça suspendeu execuções contra as empresas e impediu que contratos sujeitos à recuperação sejam rompidos apenas por causa do pedido, mas não devolveu ao Habib’s acesso aos recursos que a companhia afirma precisar para financiar sua operação cotidiana.
Agora, o grupo terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação.
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